Já participei de muitas conversas, onde se discutia que as animações da Walt Disney Studios foram grandes responsáveis por formar gerações com uma pobre referência visual. O “estilo Disney” reinou na vida de milhares de crianças que muito provavelmente não desfrutaram de narrativas mais ousadas e requintadas em sua proposta poética, bem como tiveram seus olhares educados em uma visualidade demasiadamente “bela”.
Essa discussão não deixou de fazer sentido, de fato há muito a ser explorado no que diz respeito a animações que tragam uma proposta poética e visual mais rica e fora dos padrões Disney. As animações japonesas do Estúdio Ghibli, em especial as de direção de Hayao Miyazaki, são prova disso.
Certamente que discussões assim, só aparecem na maturidade e com certeza depois de vivenciar experiências que nos dêem condições de refletir e fazer comparações. Parece que temos uma tendência em querer “poupar” o outro de viver o que vivemos pois já fizemos uma avaliação disso. Como comer Mc Donald´s. Passamos (e muito felizes) pela aventura de comer o tal Fast-food cheio de veneninhos maléficos a saúde, mas queremos poupar nossos filhos em nome de um conhecimento e de uma ideologia que só foi construída por conta de uma experiência de vida. Ninguém da minha geração morreu por ter comido no Mc Donald´s! Ninguém da minha geração foi privado de inteligência por gostar das animações da Disney!
Talvez nossos filhos também tenham que passar pelas mesmas experiências para terem condições de refletir e chegarem a alguma ideologia própria. Só devemos poupar nossos filhos do que possa lhes oferecer risco ou dor e nem isso conseguimos.
Por isso tenho pensado, que apesar de as nossas intenções serem as melhores com as gerações de nossos filhos, devemos deixar que vivam e que concluam com autonomia. Sem medo! Poderemos então ser aliados, somando as experiências.
Lembrei-me hoje dessas discussões acaloradas na época da faculdade, pois fui ao cinema assistir a nova e deliciosa animação da Disney: "Enrolados". Me diverti como antigamente e fiquei pensando que a medida que ficamos mais velhos ficamos também mais intolerantes e isso é completamente desnecessário, algumas coisas acontecem naturalmente no tempo de cada um.
Em Enrolados, tudo igual. A mesma mocinha, um mocinho encantador, uma linda canção romântica, uma vilã, animais humanizados, um reino encantado e uma linda história de amor... Vale a pena conferir. Uma bela narrativa, com uma boa dose de esperança para começar o ano.
