sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Psiu!
Sou amiga do silêncio. Nele encontro perguntas, mas também encontro respostas. Tenho mania de ficar em silêncio, e mais de uma pessoa já me disse que isso assusta um pouco o outro. Não falo muitas vezes. Antes de tudo ouço, observo, penso. Observo, penso. Penso, observo. Ouço e fico quieta. Observo e fico quieta. Uma hora eu resolvo falar. Mas falar demanda um grande trabalho anterior e eu não falo antes de considerar esse trabalho no mínimo amadurecido.
Esses dias resolvi falar diante de um grupo de pessoas que sempre me viram quieta. Mal sabem elas que eu as observo, as ouço e fico pensando em tudo isso. Quando abri minha boca, senti no ar toda a expectativa de quem me ouvia, afinal minha voz era quase desconhecida por alguns. Olhares surpresos e curiosos.
O mais bacana foi que eu me coloquei a falar sobre pausas e silêncio, pois era exatamente o assunto daquele grupo. Era um grupo de professores, assim como eu. Falei, mas falei sobre o silêncio. Achei incrível essa coincidência entre assunto e pessoa. Como me senti? Deliciosamente confortável, estava falando de algo que está em mim... Foi só colocar pra fora.
Através de seu texto "Educando o olhar da observação", Madalena Freire nos contou sobre a escuta de silêncios e sobre a nossa dificuldade em exercitar a escuta pura e simples. Suas palavras me invadiram pelos olhos e logo ocuparam minha mente. Resultado? Silêncio. Me lembrei naquela hora o que meu amigo Rubem Alves também me falou sobre silêncio outro dia em seu livro "Ostra feliz não faz pérola". Descobri mais amigos na comunidade do silêncio...
Foi bom romper o meu silêncio. É preciso, se não uma hora ele vira barulho dentro da gente.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Azul
Ver o mar é algo de fato impressionante. O azul é minha cor preferida, é a cor do infinito. Olhando para o mar, eu penso em muitas coisas e o que me impressiona mais é a grandeza. Ver o mar me parece a melhor maneira de entender nossa finitude e pequenez e a grandeza da vida e do universo.
Caminhei um pouco na areia e tive o prazer de senti-la entre os dedos dos meus pés.... O som, o vento, o balanço das águas faz bem pra alma. Quando entrei no mar fiquei pensando no sal. Parece que ele exorciza, limpa, purifica... Um encontro com o mar é quase uma experiência sagrada.
Uma pausa, um renovo...
sábado, 14 de janeiro de 2012
Coisas que salvam
Fui caminhar hoje. Esse, é o meu quarto ano de caminhadas e posso afirmar que se não fosse esse tempo andando eu talvez teria sucumbido às lutas da vida. Parece exagero, mas tenho hoje muito clara essa consciência.
Caminhar com certeza é um ótimo exercício para o corpo e acredito que seja uma boa manutenção para o cuidado com o peso, um ótimo fortalecedor para as pernas, talvez uma boa ajuda para a difícil tarefa do coração de ter que bombear sangue para todo o corpo, enfim um exercício completo. Acontece que nunca pensei em nada disso e esses nunca foram meus objetivos. Não há como negar que vejo os benefícios no meu corpo, afinal eu o submeto a esse esforço com freqüência, mas nunca foi essa a preocupação que me moveu.
A manutenção da minha alma e da minha saúde mental sempre foram meus grandes objetivos. Caminhar é mesmo uma necessidade para a minha mente. Uns dias sem caminhar e percebo minha cabeça atormentada pelos pensamentos. O dia-dia de trabalho e a rotina estabelecida não me dão espaço para que eu fique comigo mesma, não me dão espaço para que eu converse comigo mesma. Dentro da rotina não consigo parar para me ouvir .
Caminhar me parece um tempo quase sagrado e é nesse tempo onde o corpo está trabalhando que a mente vai se organizando. Tenho mania de trazer para o concreto as coisas da alma e acho que muitas vezes tenho uma relação metafórica com a vida. A partir do momento que percebi na minha vida que apesar de tudo, eu precisava continuar a caminhada, de fato nunca mais parei de caminhar em todos os sentidos . Entende?! Se eu preciso dessa postura diante da vida, passo isso para o concreto e me coloco a andar de fato. É o significado.
O cenário que escolhi foi o da Avenida Sumaré. Já fui questionada por escolher a avenida cheia de carros , poluída e barulhenta ao invés do Parque da Água Branca que está bem perto e oferece um ambiente mais favorável com árvores e sombra. Pensando nisso hoje, acho que me arrisco a dizer que é também o significado. A avenida é como a vida, é parte do cotidiano, é como a realidade que simplesmente está posta. O parque não, pois é um pequeno retiro, um ambiente preparado, propício... É na vida que devo caminhar, é na avenida que eu ando.
Muita loucura?! Essas são as minhas impressões... Eu sei que não dá pra sair significando tudo na vida, isso seria insano e deixaríamos de viver para tentar explicar tudo. Algumas coisas acredito que adquirem significados conforme a história de cada um. Concretizar algumas coisas e significar outras , me ajudam bastante. Tenho a sensação de que negocio melhor com a vida e comigo mesma, sem me sentir coagida com os problemas. É preciso agir? Então vou agir no concreto, que isso ecoa também na alma.
Bom é caminhar, bom é caminhar de fone de ouvido com música bem alta. Bom é propor uma trilha sonora para a vida e seguir. Umas vezes cantando, umas vezes chorando, umas vezes em silencio, umas vezes batucando na perna, umas vezes tocando violão na barriga ou regendo... Fico rindo de mim, pois vou caminhando assim...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Boa sorte amigos!
Não quero de maneira alguma comprar briga com ninguém, tão pouco ofender a quem quer que seja. Acontece que algumas coisas me deixam um tanto irritada. Ontem me senti assim, quando estava dando uma voltinha no Shopping Higienópolis.
O que será que explica a relação que as pessoas tem com seus cachorros? Fiquei com essa pergunta na minha cabeça...
Já tive uma cachorrinha na minha infância e eu gostava dela, mas confesso que nunca morri de amores e me sinto assim pouco seduzida até hoje. Essa minha cachorrinha, durou uns quatro ou cinco anos e tivemos que nos desfazer dela por conta de uma mudança de casa. Morávamos em uma casa grande e nos mudamos para um apartamento onde ela (seu nome era Popi) em pouco tempo, começou a adoecer de tristeza de tanto não ter espaço para correr. Eu era criança, e a Popi foi embora no começo da minha adolescência. De lá pra cá, nunca mais tive cachorros...
Vale ressaltar que em 2011 conheci um cachorrinho que arrebatou o meu coração, o nome dele era Dudu. Me surpreendi comigo mesma ao me ver derretida por ele. Acho que foi o jeito que ele me recebeu em sua casa e a maneira como ele profundamente olhou para mim. Me lembro que devagar ele se aproximou, encostou seu narizinho gelado no meu, me deu um cheirinho, se aconchegou calmamente do meu lado e ali ficou. Essa é a única ressalva que eu tenho, não sei o que aconteceu comigo, não sei porque ele gostou de mim e porque eu gostei dele. De fato algo inexplicável.
A grande questão que envolve esses adoráveis Pets, é que eles tem o imenso poder de afetar a mente humana. Devo logo dizer que os cãezinhos nada tem a ver com minha irritação e sim seus donos. Como engolir que cachorros desfilem de roupinhas e sapatinhos em um shopping onde crianças de rua e de pés sujos só podem esticar o pescoço para ver o lado de dentro? Imensos seguranças estão nas portas para evitar que esses “incômodos” tirem o conforto do ambiente.
Eu sei que essa discussão já não é nova, mas me sinto irritada de ver essa troca esquisita de valores. Outro dia vi uma mulher atravessando a rua com um cachorrinho dentro de um carrinho de bebê cheio de apetrechos para ele brincar. E o pior, ela conversava com ele como se conversasse com um bebezinho de fato. Alguém me responda: O que aquela mulher tem na cabeça?! No shopping então, a coisa é mesmo doentia. Além de ter o Pet Shop, já encontramos requintadas boutiques que vendem vestidinhos, sapatinhos e tudo quanto é artigo para esse público que insiste em achar que cachorro é gente.
Cachorro é cachorro, e não a nada de ofensivo nisso. Se você me disser que eles tem o poder de serem amáveis, de serem boa companhia, de fazerem um bem enorme para nós, eu não vou discutir e acho que faz total sentido. Agora, porque as pessoas surtam? Porque fazem papéis ridículos quando estão com seus Pets?
Talvez a incapacidade de se relacionar com gente, talvez a incapacidade de dialogar, talvez a incapacidade de ser questionado, talvez a incapacidade de compartilhar... Isso tudo pode ser o começo de uma explicação para esse fenômeno assustador que se agiganta a cada dia. Seu cachorrinho não te enfrenta, não te mostra coisas que você precisa enxergar, seu cachorrinho não te questiona, seu cachorrinho vive única e exclusivamente para te agradar, para te fazer sentir-se amado e querido. É o companheiro que todo mundo quer ter: Me ama incondicionalmente e não fala. Não é o que se busca nas relações? A comodidade de ser amado, mas nunca questionado.
Uma pena que a cabeça humana se apresente cada dia mais conturbada e cada dia mais debilitada no lidar com o outro. Enquanto existirem esses adoráveis animaizinhos amorosos substituindo gente, o homem está livre de se deparar consigo mesmo e suas limitações. Deixo aqui para esses cãezinhos, meu enorme desejo de que sejam fortes para conseguirem ser tudo aquilo que querem que eles sejam... Boa sorte amigos!
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Protocolo Fantasma
Outro dia fui assistir Missão Impossível - Protocolo Fantasma. Me deu cinco minutos, coloquei uma roupa e decidi que não perderia essa aventura por nada nem que isso me custasse ir sozinha ao cinema. Passei no Café Havanna, peguei uma guloseima e junto com mais um batalhão entrei na sala de cinema.
Logo no início, cheguei à conclusão de que para aquele filme especificamente eu não precisava de nenhuma companhia, pois a grande estrela era uma antiga paixão: o Tom Cruise. Quando ele surgiu na telona, voltei para os meus nove ou dez anos... O Tom era simplesmente o homem mais lindo do mundo. Eu tinha uma pasta onde colecionava fotos, reportagens e pôsteres dele que eu comprava nas bancas. Na verdade eu tinha duas pastas, uma era de homens bonitos e a outra era exclusiva do Tom. Daria tudo para ter essa relíquia em minhas mãos de novo, mas tenho uma péssima mania de jogar as coisas fora.
Foi com aquele belo rostinho que hoje já encosta nos cinquenta anos e na época uns vinte e poucos, que pela primeira vez na vida fui as lágrimas com um filme. Foi assistindo Top Gun - Ases indomáveis, que descobri o que é se emocionar diante da tela, o que é confundir ficção com realidade. Me surpreendi com as minhas próprias lágrimas ainda tão novinha, quando o charmoso Maverick chora a perda de seu amigo Goose durante um treinamento a bordo de um avião-caça que voava fazendo aquele barulho emocionante. O que dizer então do arrogante Iceman que enchia a gente de raiva, e como não dizer dos suspiros apaixonados quando Maverick se encontrava com a bela instrutora Charlie?!
Pois é... Apenas um filme, e quanta coisa posso lembrar desse tempo!
Em Missão Impossível, me peguei sorrindo emocionada ao ver o mesmo rosto que um dia me fez suspirar como uma menina apaixonada. E hoje já uma mulher adulta, me diverti igualmente como a mais de vinte anos atrás diante de um filme. Costumo dizer que “filmes de meninos” estão dentre os meu favoritos. Essas aventuras barulhentas e cheias de marmelada, eu simplesmente adoro. E se você assistiu Missão Impossível, certamente pode imaginar o quanto eu me diverti sozinha naquela poltrona.
Acho que a muito eu não falava tanto sozinha... “Cuidado!, Ai meu Deus!, Pega ele!, Sai pra lá!, Vai que dá tempo!, Coooorre!", e fora dizer cada susto com explosões, ou mão suada por conta de escaladas em arranha-céus. De verdade, tive que sair de cabeça baixa e sem olhar para os lados porque de fato esqueci que eu não estava sozinha na sala de cinema e que se tratava apenas de um filme e não realidade. Participei e dei pitacos no filme como se estivesse dentro da trama ou como aqueles torcedores detestáveis que ficam o tempo todo gritando o que cada jogador deve fazer. Foi sem querer, extrapolei nas emoções.
Ainda bem que fui sozinha, a companhia do Tom me fez um bem enorme e saí da sala rindo sozinha de mim mesma e de todas as lembranças que esse belíssimo galã de Hollywood me trás.
**Ganhei essa foto de uma querida amiga, que um dia resolveu me casar com o Tom. Não resisti em usá-la como ilustração do meu texto.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Uma nova porção de tempo
O ano já começou. A vida não parou. Não há pausa. Essa divisão em anos e meses, é um jeito que a gente encontrou de controlar o tempo. O tempo de um ano, ficou para nós a marca de um limite. No prazo de um ano gente se dedica a tarefas e missões que a gente elege e acredita ser pertinente para aquela porção de tempo.
Ao fim de cada ano estamos todos exaustos como se chegássemos ao fim de uma longa corrida. No nosso corpo, já está gravada essa marca de doze meses, esse ciclo que acreditamos sempre recomeçar a cada Janeiro.
E cá estamos, imaginando que um ano novo é uma nova esperança, uma nova chance, uma nova porção de tempo que nos é dada. Na verdade o tempo nunca parou, o tempo é um só, somos nós que o fragmentamos, e se assim não fosse talvez sucumbiríamos ao tempo sem pausas, sem ciclos.
Precisamos de pausas, precisamos de rituais de fim e de começo, precisamos parar para olhar o que passou e saber como continuar. Precisamos sinalizar para nós mesmos que o tempo passa e que os dias passam.
Acredito que Deus entra nessa tarefa quando marca o ciclo do dia e da noite, talvez esse seja o maior sinal para nós de que o tempo está aí para que a gente administre, para que a gente viva. A cada dia que começa, estamos recebendo o recado de que o tempo não pára, e se estamos presenciando o nascer do sol é porque estamos vivos e recebendo o presente de participar com vida desse tempo.
Não importa o tamanho da sua dor ou da sua alegria, não importa o que você está fazendo, não importa a sua vontade, não importa como está sua vida... O sol vai sempre nascer de novo, e ele por si só é o grande mensageiro de que devemos continuar.
O que é um ano novo se não um novo dia? Nada de diferente! É a nossa alma que está renovada por conta desses rituais de passagem que marcam cada ano, porque o sol, o dia e a note acontecem da mesma maneira.
Estamos em Janeiro, na primeira semana do ano e eu por exemplo, já tive indicativos de que a vida continua mesmo, a luta continua mesmo e os leões que devo matar a cada dia não tiraram férias e já estão aí rugindo na minha cara. Pensei com os meus botões: "mal começou o ano e eu já estou na luta?! Ei tempo, não dá pra dar um tempo?!"
É assim, desse jeito assim... O que nos resta a não ser o desafio de caminhar? Caminhar olhando pra frente, sempre pra frente e firme como se pudéssemos enxergar nitidamente o destino final. Vamos?!
Continuarei comentando a vida aqui no Colunas da Ma em mais essa porção do tempo chamada 2012 que nos foi dada. Espero que continuem comigo, gastando minutinhos preciosos do seu tempo. Quero deixar aqui a minha gratidão a todos os que me acompanharam no ano que passou, a todos que choraram, riram, comentaram e curtiram os textos aqui publicados. A experiência de dividir pedacinhos de mim tem sido extraordinária, e é você que lê o responsável por dar sentido a tudo isso. Um 2012 colorido, leve, gostoso e bem humorado pra todos nós!
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