quinta-feira, 27 de setembro de 2012

É...




Sei lá essa vida viu.

Tem coisa que a gente não vai entender nunca.

Tem coisa que é tão bom entender.

Maior desafio é ter serenidade.

Maior desafio é caminhar sempre pra frente.

Maior desafio é entender os momentos.

Quanto mistério nos envolve.

Quanta coisa escancarada que não vemos.

Quanta coisa escondida que enxergamos.

Quanto poder gostaríamos de ter.

Quanto potencial não usamos.

Que pequena a nossa visão do todo.

Que grande a nossa visão do problema.

Quanta falta de esclarecimento.

Quanto equívoco.

Quanto da vida achamos saber.

Quanto sabemos sem agir.

Cada dia um leão.

Cada leão quanto medo.

Cada medo quanto trauma.

Cada trauma quanta vida.

Para cada sol uma esperança.

Para cada céu uma prece.

Para o azul um sorriso.

Mimo

Estava tirando umas roupas do varal quando percebi que de fato tenho mania de meias e pijamas. Tenho a maior paixão por esse mimo. Nunca vi tanta meia colorida junta...
Olhar para o meu varal era como entrar num mundo de estampas e cores.

Bolinhas, bolonas, corações, listras rosas, amarelas, brancas, verdes, pretas, bandeirinhas da Inglaterra de todos os jeitos, vaquinhas, pele de bicho, lacinhos, carrinhos e tantas outras estampas hoje me deram bom dia.

Sei lá se isso é normal, mas posso afirmar que é uma delícia escolher meias e pijamas... Maior carinho tenho por todos que enchem o meu guarda-roupa. É como se fosse um dengo chegar em casa, tomar um banho quentinho e entrar em um pijaminha colorido. Parece que o meu corpo agradece.

Se estou em casa por muito tempo, pode saber que muito provavelmente estou pra lá e pra cá de pijama e meia. De fato são companheiros no computador, na cozinha, no chá e no sofá com meus queridos filmes.

Tem dúvida mais gostosa do que pensar: pijama de sapo ou de bolinha? Ah não tem...Tanta coisa séria e pesada aqui dentro pra resolver sempre, porque não uma dúvida doce no meu dia? Meia azul ou verde? E ainda: Pijama xadrez com meia listrada? Com toda a certeza adoro me dedicar a essas deliciosas questões, quando me sinto cansada do meu dia... Experimente para você ver.

Nada melhor do que um pouco de cor nessa vida cinza! No aconchego de casa, um pijama cheio de desenhos alegres e para meus pés gelados uma meia bem colorida. Pronto. Já estou feliz assim.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Maior empurrão


Gosto de assistir Blindness de vez em quando. É inquietante e nada confortável.Incrível perceber o tamanho da nossa fragilidade.

Saramago conseguiu nos retratar na mais desconcertante, angustiante e triste situação tirando apenas uma coisa: a visão. E na sua soberania de escritor ele tira a visão de uma nação inteira. O caos se instala rapidamente e o homem-bicho se revela igual para todos. O poder até pensa ainda trazer alguma garantia quando retira em quarentena os primeiros cegos. Porém até os poderosos foram colocados no mesmo saco e poder nenhum foi capaz de salvar ou privilegiar alguém.

Aqueles coitados trancafiados numa espécie de hospital abandonado, viveram ali dentro a mais humilhante situação de sobrevivência. A luta pelo alimento valia qualquer preço. Alguma dignidade ainda era possível de ser encontrada em um pequeno grupo a quem Saramago não nomeia, mas identifica como médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho, o rapazinho estrábico, o primeiro cego e a mulher do primeiro cego.

Maior admiração tenho pela mulher do médico e acho na verdade, que volto a assistir o filme por causa dela. Quando me sinto com medo e sozinha, sempre falo pra mim mesma “sou a mulher do médico”. Gosto de brincar de me revestir dessa personagem! Ela é incrível...

Sem tempo e espaço para lamentos, ela sai como um trator resolvendo tudo e se dedicando a tornar aquela situação minimamente possível para sobreviver. A benção de enxergar se tornou sua grande maldição. Durante os cento e vinte minutos do filme e aproximadamente 310 páginas do livro, ela não desistiu.

Vale a pena se aproximar dessa história. Vale a pena refletir sobre os tamanhos de nossos problemas. Vale a pena ser confrontado com dureza, luta e dignidade.

Nada melhor do que uma história pra te dar um empurrãozinho... E essa, sempre me dá...


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pode acreditar


Depois de um dia longo e cheio, cheguei em casa.

Minha vontade era de cair na cama. Me sentia cansada, minha cabeça já estava exausta de pensar...

Na companhia de uma boa música que nunca pode faltar em casa, preparei alguma coisa para comer. A música enche a casa, espanta os fantasmas e me faz cantarolar e dançar muitas vezes.

Depois entrei no banho para tirar o dia do corpo como diz minha mãe. Não há um jeito melhor de terminar o dia do que um bom banho quentinho.

Enquanto a água caía nas minhas costas, o dia passava resumidamente na minha cabeça... Até que avistei no chão do box, uma deliciosa oportunidade de ser extremamente feliz por alguns minutos.

Minha filha havia deixado ali no cantinho, seu conjunto de giz com seis fortes cores. São próprios para a criança brincar no banho desenhando nos azulejos.

Não resisti e nem por um segundo hesitei...

Na parede à minha frente desenhei meu autorretrato, do meu tamanho, sorrido pra mim. Depois de alguns minutos, meu banho estava todo colorido. Haviam nuvens, pássaros e flores por todos os lados...

Que delícia! Podia ficar ali por horas...

Fiquei olhando para os desenhos acompanhada daquela água quentinha e pensando como a gente complica a vida... Puxa... Como a gente complica tudo....

Naquele momento a vida me pareceu tão simples e colorida que tive a certeza de que a felicidade mora mesmo na simplicidade...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Com doçura...






"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."
Cora Coralina

Maior alegria quando no domingo ouvi alguém lendo essas palavras. Puxa vida... Quantas vezes pensei que era preciso decidir... Muitas... Sempre... Algumas coisas nessa vida tem que acontecer dentro da gente. Já me achei muito durona de pensar objetivamente as coisas do coração. Será possível isso? Será que dá pra racionalizar a alma?

Com certeza não... Mas o mundo subjetivo é tantas vezes traiçoeiro! É preciso respeitar os motivos do coração? Sim, é preciso. É preciso ouvi-los também. É preciso as vezes entrar com decisões racionais? Sim, é preciso. Para o nosso próprio bem. Cora Coralina falou de razão também, porque decidir é razão. O que me deixou feliz e bastante aliviada foi o fato de que ela falou com a maior doçura...