quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Que tal menos discurso?



Tenho pensado em liberdade, ou melhor, tenho pensado em libertação mesmo, desapego. Discursos tem me incomodado um pouco e a alguns anos tenho experimentado a sensação da liberdade de sentir, de pensar e de não pensar nada. Discursos são exaustivos e acima de tudo parece que aprisiona, torna intolerante, torna amargo e radical demais.

Foi muito bem vinda a leitura de "Notas sobre a experiência e o saber da experiência" do professor e pesquisador espanhol Jorge Larrosa. Longe da pretensão de minimizar ou tornar superficial seu texto, voltei a pensar nessas questões todas com mais segurança quando me identifiquei com algumas reflexões bastante interessantes.

Porque será que se espera sempre uma posição diante de tudo? Porque temos que defender bandeiras? Vestir camisas? Defender idéias até a morte?

Discussões políticas, éticas, ecológicas, religiosas e não religiosas parecem ter se tornado roupas que as pessoas vestem. E roupas bem chatas. O que é grande parece tão reduzido e já não agrega mais. O conhecimento vem como organizador de grandes blocos humanos que já não tem diálogo um com o outro.

Toda a sedução do saber foi reduzida a uma questão de tomada de posição perante isso ou aquilo. O conhecimento que era para libertar vem em forma de discursos rígidos e separatistas. De certa forma reforça uma tendência que o ser humano já tem que é agregar com o igual e segregar com o diferente.

Larrosa fala de experienciar. Enquanto nos enchemos de conhecimento, que ele sabiamente chama de informação, nos privamos da experiência. Mil discursos, infinitas informações e alma rasa. "... a experiência é cada vez mais rara. Em primeiro lugar pelo excesso de informação. A informação não é experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma inexperiência... A informação não faz outra coisa que cancelar nossas possibilidades de experiência."

Vivemos o imperativo de ter que opinar e se posicionar. A falta de posicionamento nos faz menos e nos coloca desconfortáveis no mundo social. Falemos a verdade... Tem coisa melhor do que se sentir livre para dizer " sei lá!"?! Tem coisa melhor do que permitir que a experiência do tempo, da vida, dos acontecimentos nos ensine lições preciosas?

Larrosa insiste em desmistificar esse equívoco do mito de ser alguém cheio de saberes e exalta a liberdade do sentir. Ele chega a afirmar que o sujeito cheio de opiniões e informações é alguém incapaz de experiência.

Que infelicidade ter que ser a favor ou contra sempre e sempre. Já não temos tempo para parar, refletir, sentir e ter experiências. Significativo mesmo é ser envolvido de certezas que não são da esfera intelectual e racional. Essas sim são verdadeiras porque foram experienciadas, vividas.


Tudo acontece hoje numa velocidade assustadora que definitivamente estou muito longe de conseguir acompanhar. Já muitas vezes questionei minha lentidão em refletir, refletir e refletir de novo sobre algo que chega a mim. Demoro para devolver porque fico "mastigando" por demais. Discussões enérgicas são com toda a certeza ocasiões que saio perdendo. Não sou rápida nas respostas e muitas vezes amaldiçoei não ter sido rápida e perder o momento. Já cheguei a respostas extraordinárias que nunca foram dadas porque perdi o momento. Sabe? Quando depois do ocorrido você se pergunta o porque não rasgou o verbo? Pois é... Isso ocorre comigo sempre. Hoje aceito melhor porque sei que perder o momento já me levou a grandiosas reflexões que seriam anuladas se entrasse o fator rapidez. Posso até dizer que já não me incomodo se o outro se incomoda com minhas conversas cheias de pausas silenciosas. Sou muito amiga do silêncio e amo sua sabedoria.

...Foram infinitas as reflexões provocadas pelo texto de Larrosa. Deixou uma gostosa sensação de que vale a pena investir na alma e ser grande nela. No restante, a caminhada é sempre reveladora de valiosas e significativas aprendizagens.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mar, misterioso mar...



O mar é um grandioso presente de Deus para nós. Como uma mesa farta, ele acolhe a todos e dele nos alimentamos de paz, vigor, esperança, alegria e refrigério.

À beira da praia a areia nos convida, o cheiro nos atrai e o som das ondas invade a alma como música que embala e acalma.

Crianças brincam, famílias se reúnem, casais se apaixonam de novo...

O sol revela a imensidão das águas e nos percebemos pequenos. A natureza se agiganta no horizonte e nos intimida na nossa insistente prepotência.

Que bom poder ver o mar.. Que bom mergulhar na sua água... Que bom ouvir o seu som... Que bom entender a sua grandeza.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vamos?


O mundo não acabou. Eu até cogitei a idéia disso acontecer na véspera do 21 que era o predestinado dia... Vi as redes sociais agitadas com o fim do mundo e cheguei a pensar que se fosse mesmo verdade, não tinha o meu consentimento porque ainda quero viver muita coisa.

Acontece que o natal também já passou, e o esperado dia de festa do ano agora só se repete daqui mais um ano. Reveillon?! Virou passado e o ano chamado novo já caminha para o término do primeiro mês.

"Meu Deus do céu!" Pensei... O tempo é mesmo impetuoso e passa sem que a gente tenha tempo de digerir a vida e tudo que vai acontecendo nos nossos dias. Se fosse diferente talvez não teria tanta graça porque esse dinamismo maluco e cruel acaba temperando nossa passada por aqui.

Me vejo as vezes dividida entre as aventuras que a vida propõe e o cansaço da caminhada cheia de surpresas e tantas exigências de constante adaptação, resiliência e bravura.

Nada melhor do que um ano novo trazendo ar fresco, permitindo a gente repensar e talvez recomeçar sem se importar o quanto já caminhou. Ano que termina e ano que começa, sempre foram pra mim dias de alegria sim, mas de muita reflexão. Dias de descanso para o corpo, mas dias turbulentos na alma.

Preparados ou não para um novo ano, ele já está aí nos intimando a continuar a caminhada e ser feliz durante ela, ser feliz no passar do tempo, ser feliz em meio ao que quer que nos seja proposto. Vamos nessa?!