terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ataque de ser criança



Melhor coisa do mundo é se sentir livre.

Fui confrontada esse fim de semana por um bichinho de pelúcia. Era uma coruja  gorda, macia, peludinha e linda. Olhei pra ela e senti que era irresistível te-la pra mim. Peguei. Abracei. Decidi levar.
Minha filha de oito anos olhou bem para aquela cena e falou: Não acredito que você vai querer essa coruja pra você! E eu disse: Vou sim!

Ela está lá na minha cama. De vez em quando dou um abraço nela e ela sempre me arranca um sorriso.
Acontece que já passei da idade de ter bichos de pelúcia. Me lembro que minha cama quando criança,  era cheia deles.  Há muitos e muitos anos eu não sei o que é ter um bichinho assim.

A corujinha me fez pensar que é tão fácil sorrir... Que eu não tenho mais idade para isso eu sei bem e decidi que não ligo para esse fato. Vou deixar ela lá até passar esse ataque de ser criança.

A vida é recheada com tantos problemas, tristezas e questões tão complicadas. Porque não brincar um pouco? Porque não deixar um bichinho de pelúcia te fazer sorrir? Porque não ouvir quando seu menino ou menina que tem aí dentro gritar bem alto? Porque a gente tem que ser pesado? Sério? Sisudo? Porque o brincar fica de lado? Porque ser criança tem que ser sinônimo de ser irresponsável?

Tenho carregado o mundo nas costas, tenho matado muitos leões, lidado com muitos fantasmas e vivido com muita luta. Essa semana me dediquei a curtir a menina... Que delicia...

Continuo na luta e levo a minha coruja comigo agora. O nome dela é Pepe Cabeçuda. Para os íntimos: Pepe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Chuvinha

      


Cai uma chuva gostosa lá fora... O dia está cinza, pesado e carregado. A chuva parece que lava, que leva junto com ela tanta coisa, tanta carga...                              

Bom um dia de chuva, gostoso o barulho da água que abafa o barulho caótico da cidade.   Parece que Deus manda lembranças pra gente, a natureza também fala da sua grandeza e nos faz olhar para o céu que apesar de tão grande e infinito fica sempre lá no alto esquecido...

A água tem força... E o cair da água sobre nós parece redenção pra todos, e pra cada um no      que aflige a sua alma. A gente parece ir mais devagar...  O relógio parece preguiçoso... O corpo parece cansado... A alma parece mais frágil... A vida parece mais doce... A música mais nostálgica...

A chuva me faz sair do automático, me deixa ainda mais reflexiva, me deixa com os olhos marejados, me faz pensar no sagrado... A chuva me faz querer o campo, o mato, o frio, um chá, um bolinho quente, um livro, um filme, um dia tranquilo , uma casa sem forro pra ouvir a água caindo nas telhas. A chuva me faz respirar fundo. Um dia de chuva me faz toda hora ter que recomeçar, retomar a concentração e a atenção porque ela me leva pra bem longe...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Eu sei que você existe

A vida da gente tem coisas bastante misteriosas...Me peguei outro dia preocupada e querendo notícias de alguém que nem me conhece e talvez não saiba da minha existência nesse mundão de Deus.

Eu conheço e sinto carinho...
Conheço sua voz, seu sorriso, sua história, suas lutas e suas dores. Vez por outra me pego pensando se está bem, se precisa de ajuda, de carinho, de sorriso, de apoio, de ombro amigo...

Tento no anonimato ser útil, as vezes entro na defesa e participo de sua vida com afinidade e uma intimidade que só eu sei que existe.

Não é mesmo algo bastante inusitado? É bonito também... A vida vive nos reservando surpresas. As pessoas entram na nossa vida e nem sabem que isso pode ser tão grande.

Não é um lamento, mas uma constatação mais uma vez de como a vida é linda e grandiosa nos seus caminhos.

A ela que não me conhece, fica aqui o meu sorriso e torcida pra que a vida também a surpreenda de um jeito gostoso, leve e feliz.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

My name is Hunt, Ethan Hunt




Dentro de casa um fim de semana pode resultar em coisas bem interessantes.  Estava sem minha filha, portanto sozinha em casa e para fechar com chave de ouro esse fim de semana prolongado acordei no domingo com uma baita dor de garganta que não me deixou sair de casa.

Dentro da Livraria Cultura no sábado a tarde, fui seduzida pelo box da quadrilogia do filme Missão Impossível. Puxa vida... Olhei pra aquela caixa já pensando na minha sofrida conta bancária, mas Tom Cruise olhou bem nos meus olhos. É claro que não resisti e paguei por tamanha provocação.

Foram um pouco mais de vinte quatro horas na companhia de Ethan Hunt, personagem encarnado pelo Tom. Com pausas para comer, dormir, ir ao banheiro, tomar remédios e falar ao telefone, embarquei na aventura de Missão Impossível I, II, III e IV.

Começo a semana com a agradável sensação de que posso tudo. Escalar prédios, pular de uma moto em alta velocidade, saltar grandes distâncias, matar os inimigos, usar disfarces impecáveis, burlar qualquer sistema de segurança, voar em mega carros possantes, lutar como ninguém, pensar em soluções brilhantes em fração de segundos, suportar qualquer dor e viajar pelo mundo com missões impossíveis. Tem jeito melhor de começar uma semana de trabalho?

Pensa como a gente geralmente se sente no domingo mais ou menos no fim da tarde... Pensa. Com certeza é costume sentir aquela angustiazinna que antecede a segunda-feira, porque geralmente a gente já sabe quantos leões nos esperam de boca aberta babando e rugindo na nossa cara. Adorei a sensação de sair dessa condição opressora do domingo que antecede a semana.

E aquela música de agente secreto então? Que delícia... Maior sensação de...nossa como sou corajosa! Engraçado isso... Que demais é o cinema.
Encaremos nossa semana então! Dessa vez eu vou de agente secreta, e você?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A iminência das poéticas




Em visita a 30º Bienal de Arte de São Paulo, fiquei pensando sobre essa produção contemporânea. Por um momento pensei que talvez a curadoria tivesse culpa das minhas dúvidas e sentimentos. Grandes caixas brancas abrigam blocos de obras de artistas de tudo quanto é lugar desse mundo. Senti aquele ambiente um tanto desconexo, confuso e talvez  cheio demais.


Ao andar pelo pavilhão, meus olhos procuravam algo que me pegasse na alma. Tinha já saído inquieta do MAM, por ter tentado dialogar com a densa obra de Adriana Varejão que em  sua exposição panorâmica, nos trás suas paredes de azulejos recheadas de carne.Forte,visceral e com certeza muito bem feito. Com referências no barroco,azulejaria e iconografias conhecidas na história da arte, Adriana certamente impressiona e traz tantas questões ligadas a própria pintura e paralelos entre beleza, crueza e dor.


Na Bienal, não queria mais ser instigada, mas tocada. Com uma certa ansiedade fui percorrendo as obras e quebrando a cabeça diante delas.Será que estou enferrujada ? Pensei. Não sou capaz de alcançar o cerne das questões desses artistas? Porque vocês não falam comigo? Fiz  essa pergunta a tantas obras ali expostas.


Algumas fotografias me chamaram a atenção. Retratavam cotidiano, gente, cores, famílias... Gostoso ver e participar daquele olhar que enquadrou cenas da vida. Algumas engenhocas, a princípio um tanto descabidas... Pouco desenho para a minha tristeza, puxa vida cadê os desenhos?!
 

Não fui pega pela alma e saí de lá incomodada com isso porque sei que a arte tem essa faceta quase espiritual. Me lembro que Richard Long me fez chorar com sua exposição na Tate Galery. Ali, nada que impressionava mas, o silêncio profundo de sua obra foi capaz de calar uma sala cheia de gente. É isso! Acredito na arte assim. Que emociona, que pega, que faz pensar, que arrepia, que mexe. Não precisa ser belo, mas precisa falar comigo.


Senti falta de alma. Senti falta do simples. Arthur Bispo do Rosário foi capaz de dizer tanto com o pequeno gesto de juntar e organizar coisas. A alma dele está ali e isso fica claro cada vez que me deparo com seus trabalhos. É sincero. Que bom que ele está nessa Bienal. Vale a pena dar uma conferida.


Mundo caótico e arte que acompanha o caos. Será? Quais as questões  que gritam? Como falar delas? O que move essas produções? Gosto quando vejo poesia... Gosto quando vejo o silêncio... Gosto quando vejo o simples dizer muito...


Delicioso esse exercício de refletir, tentar entender, ser confrontado, vislumbrar idéias, pensamentos, cores. Quanta experiência marcante nos trás uma Bienal. Vamos lá? Coloque sua cabeça pra funcionar! Arte traduz vida e a vida sempre pede arte.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Entre menina e lutador de box



As vezes ela aparece... É uma menina que chora e tem medo. Mas ela fica escondida e quieta. Algumas vezes ela desperta, comove e emociona. Ela quer sorrir, brincar e ter gente por perto.

As vezes ele aparece... As vezes não, sempre. É um lutador de box que bate e se defende, bate e se defende. Não tem medo não, vai pra cima. É como um trator que vai passando por cima de tudo. Problema? É com ele mesmo, resolve tudo. Pancada? Pode vir, ele está preparado. Sua defensiva não tem pra ninguém.

Consegui ver claramente que ambos existem, agem e protagonizam alternadamente.

E assim vão caminhando... Entre uma doce fragilidade e um espirito guerreiro.

Convivem, conversam, brigam, se amam, se desentendem, mas estão sempre caminhando, sempre pra frente...