terça-feira, 31 de julho de 2012

20 segundos apenas



Na encantadora história do filme“Compramos um zoológico”, Benjamin Mee carrega um ensinamento de seuirmão mais velho por toda a sua vida e suas lutas. Seu irmão sempre disserapara ele que na vida precisamos, em muitos momentos, de 20 segundos de coragem.
Depois de terminada essa emocionante história,fiquei pensando aqui dentro de mim nesses 20 segundos e o que eles podemsignificar pra gente. 20 segundos! Tão pouco tempo! Menos da metade de umminutinho apenas! Como uma fração tão pequena de tempo pode ter tanta força eimportância?
Gostei de pensar que em 20 segundos eu possotanto. Trata-se da coragem de dar o passo, de abrir a boca, de dar início e deagir. Em 20 segundos você não resolve nada, mas você detona um processo. Depoisdos 20 segundos de coragem, você tem necessariamente que dar conta do que vocêdetonou, você tem obrigatoriamente que lidar com aquilo que já estáescancarado.
Em 20 segundos você se coloca dentro da situação que anteriormente estava só na sua cabeça, e tudo que está na nossa mente é sempre infinitamente maior e pior. A gente sempre pensa no “se” e esse“se” atormenta a gente. Nessa fração pequena de tempo, você tem uma ação que independe do “se”. Você se coloca na situação real e não temida e imaginada.
Precisa de coragem pra dizer que ama? Em 20segundos você pode dizer. Depois você administra isso.
Precisa deixar seu trabalho? Em 20 segundosvocê pode detonar esse processo. Depois você com certeza vai se empenhar parasolucionar isso.
Precisa dar um telefonema difícil? Em 20segundos você pega o telefone, disca e se identifica. Depois você vai ter quese virar porque já estará dentro da situação e certamente saberá o que fazer.
Precisa entrar? Em 20 segundos você abre aporta e dá um passo pra dentro. Depois que você está dentro alguma coisa vocêvai conseguir fazer.
Precisa sair? Em 20 segundos você sai e pisafora. Depois que você está do lado de fora, certamente terá que administrarisso.
Precisa falar? Em 20 segundos você dá conta depelo menos meia dúzia de palavras que te colocam dentro da sua necessidade.Depois que você começou, vai precisar terminar.
É um empurrão da gente na gente mesmo. Não setrata de agir por impulso, se trata de um momento revestido de muita coragem. O medonos tira a coragem, nos paralisa, nos assusta e nos faz sofrer.
Difícil? Parece demasiado racional? Creio que sim... Mas acredito que seesses 20 segundos são de coragem eles são necessariamente difíceis. Coragem nãoimplica nunca em nada fácil.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Run Forest!


Dia de viajar é dia tenso.
Arrumar as malas para voltar é pior do que arrumar as malas para ir. Tem sempre alguma coisa que dá errado, você sempre nota que depois de momentos de ginástica para fechar a mala alguma coisa ficou de fora, o cadeado da mala some ou quebra, a mala resolve que não gosta mais de você e ela vai demostrar isso de alguma maneira. Você percebe que fez o cálculo errado do quanto você poderia exigir da capacidade da mala, a roupa que você vai viajar não é bem aquela que você quer mas é aquela que não cabe na mala - provavelmente um casaco gordo ou aquela bota que não cabe em lugar nenhum. O seu dia parece que tem menos horas e você fica constantemente tentando deixar tudo em dia pra que não tenha surpresas de esquecimentos de qualquer gênero.
Viajar é lindo até que você comece a perceber toda a mão de obra do ir e vir que abre e encerra a sua jornada...

Nesses últimos dias pude experimentar diversas sensações que envolvem uma viajem de férias e uma aventura fora do país. Desde tropeços homéricos com a língua estrangeira, tour em tantos lugares inclusive no hospital local, andanças eternas sem ter a mínima idéia onde estava o destino que almejava alcançar, até gostosos momentos em família, lindas paisagens e lugares e culinária incrivelmente diferente e gostosa. Quanta coisa acontece quando você embarca numa aventura fora de casa...

Depois de 15 dias fora, o meu desejo é colocar o pé dentro da minha casa. A saudade bate uma hora no peito, por mais linda que seja a paisagem que você tenha o privilégio de ter visto e por mais que grandes lutas o aguardem no retorno. Com malas prontas, depois de infinitos cálculos de preenchimento e otimização de espaço, segui para o aeroporto, que como sempre, nos presenteia com quilômetros de distância. Mesmo não sendo amiga de avião, já estava querendo a minha poltrona depois de um longo dia pré volta de férias. Puxando malas, carregando mochila, bolsa e afins, conduzindo criança, segurando passaportes e documentos, chego esbaforida e no horário certo no guichê da minha escolhida empresa de vôo.

Uma simpática senhora me dá um simpático boa noite e pede meus documentos. Entrego tudo a ela e observo toda a sua conduta na frente do computador. Esperando ali suas orientações de embarque, percebo que sua feição muda ao olhar para mim e para a sua tela. " Senhora" - disse ela com cara de preocupada. " A senhora percebeu que hoje é dia 15?" não entendi direito sua pergunta e resolvi responder com outra. "Sim, porque?" Depois de respirar corajosamente ela falou firme olhando nos meus olhos: "Porque o seu vôo foi dia 14. Ontem, senhora." Fiquei em silêncio. Senti meu corpo querendo desfalecer e meu estômago gritar por socorro. Meu ouvido silenciou todos os barulhos em volta e me presenteou com um zunido dolorido. Quem estava do meu lado me observava e também não sabia o que poderia me dizer diante daquela notícia estarrecedora.

Uma nova aventura começa. Lista de espera, opção de entrada de pedido de reembolso, pesquisa em outras companhias, hora contada, decisão, lágrimas, perguntas, possibilidades, telefonemas, nervosismo.
Rapidamente percebi que qualquer possibilidade demandaria desgaste e gastos exorbitantes. Se ficar você gasta, se trocar você gasta, se desistir você gasta, se conseguir você gasta. Com ajuda dos meus amados anfitriões, nos colocamos a buscar a solução que fosse menos pior. Internet 3G, tele-atendimento, busca de informações, pesquisas rápidas e em alguns instantes um cancelamento e uma nova passagem de outra companhia com um vôo ainda mais cedo.

Outra aventura começa. Compra de passagem, negociação, mudança de terminal e corrida contra o tempo. Éramos quatro pessoas sendo uma criança, três malas no carrinho, duas bagagens de mão e pernas pra ganhar a corrida. Que cena mais desconcertante... Todos nós correndo aeroporto a dentro carregando o mundo, mais ou menos como aquela cena marcante de Esqueceram de mim. Tudo aquilo que trouxe tensão, acabara de virar piada com a cena ridícula que tivemos todos que protagonizar. Corríamos gritando e rindo esbaforidos. Ao chegar no portão de embarque, não sabia se ria, se chorava, se despedia, se respirava, se pedia orientações. Abracei fortemente meus amados e no peito batia forte o coração. Estava ali o fim da nossa grande aventura dentro de um dos maiores aeroportos desse mundo de Deus.

Aqui estou... Dentro do avião lembrando de tudo isso e me preparando para uma nova aventura que será chegar em casa e um belo dia receber a deliciosa fatura do meu cartão de crédito que certamente me fará sentir as mesmas sensações que tive quando recebi a notícia de que havia perdido o meu vôo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

London, London



Ela é cinza, tantas vezes escura. Fria, gelada, úmida...
As vezes triste e melancólica, as vezes emburrada e séria...
Tem um coração enorme, gigante e nele cabe o mundo inteiro...
Em suas ruas é possível ver todo o mundo, ver todas as gentes, ver tantas cores...
Quantas diferenças convivem debaixo desse mesmo sol, debaixo desse mesmo teto, debaixo desse frio...
Malas puxadas pela cidade toda a todo tempo... Ela é um grande corredor  de passagem...
Devotos de uma pequena senhorinha,  quanto orgulho carregam no peito...
Herdeiros de uma educação impecável, quanta distância tem do outro...
História de um tempo de castelos, carregam até hoje...
Uma constante conversa entre reinados antigos e tempo presente, enchem de charme sua arquitetura...
Arte que pulsa em todos os cantos, crianças que crescem amigas dos museus...
Chuvinha fina enche de coloridos guarda-chuvas as calçadas...
Desprovidos de regras, coloridos, descombinados e estampados... A moda é  aquela que você quiser...
De trem, de metrô ou ônibus vermelhinho  é possível chegar onde você precisar...
Ela é linda, é querida...
Na bela Londres, momentos que ficarão pra sempre guardados.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Voar, voar...


Interessante a sensação de voar. Sou alguém que procura sempre ter o controle das situações, não gosto da sensação de que alguma coisa do meu interesse está além do meu alcance, nãogosto de sentir que dependo de outro pra qualquer coisa. De vez emquando acho que posso tudo, mas no fundo eu sei que as coisas não funcionam assim de fato e tenho aprendido isso a cada diaque a vida me mostra como sou pequenina diante dela.

Entrar em uma aeronave éum grande desafio. Depois que aquela bendita porta se fecha, meu amigo, não há mais o que você possa fazer a não ser admitir que você não tem mais nenhum controle denada até que você saia dali em terra firme. Na verdade a gente acha que temalgum controle sobre a vida e essa é uma grande ilusão, mas no ar isso fica escancarado na sua cara. No ar você precisa focar o pensamento de que você está em uma máquina que foi incrivelmente planejada para ser para você a possibilidade mais segura de viajar.

Eu sempre tive medo de aviãoe pra mim sempre foi um treino muito saudável de controle de mim mesma edos meus pensamentos passar horas dentro de uma aeronave. Medo não é razão, medo é sensação. Sensações são fortes, sensações são desprovidas de qualquer lógica,sensações são ondas que vem e te engolem. É preciso saber lidar com elas.

Estou dentro de um avião a aproximadamente dez horas.Estava noite, amanheceu, já assisti um pouco de filme, já comi, já fui no banheiro inúmeras vezes, já cochilei em infinitas posições, já acordei com dor aqui, com dorali, e ainda continuo aqui dentro totalmente refémdessa situação. Estou bem. Preciseicontrolar a cabeça algumas vezes porque ócio e barulhos é uma mistura que resulta empensamentos bastante criativos.

Fiquei pensando que a vida nãoé tão diferente de estar aqui dentro não.
A cada sol que se levanta, quanta surpresa a gente podeter? Em terra firme, quantas vezes perdemos o controle da situação?  Quantas e quantasvezes sentimos que não há o que fazer? Quantas vezes chegamos a conclusão de que precisamos somente esperar sem agir?

To aqui... No ar... Voando... Pensando... Esperando...
Ainda bem que tenho conseguido voar...
Ainda bem que o homem um dia foi capaz de pensar tão grande...
Ainda bem que podemos rasgar o céue vislumbrar tamanha maravilha...
Ainda bem que tenho a paz de pensar que Deus é o grande piloto.