segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pois é...


Meu terapeuta morreu.
Estranho.
Depois de tantos anos, levou com ele um monte de coisa minha e sem me pedir...

Nunca tinha parado pra pensar numa situação dessas, na verdade acho que já me ocorreu que talvez ele fosse imortal. A gente sempre pensa na possibilidade da morte de pessoas importantes, mas de fato eu nunca o havia colocado no lugar onde eu o vi da última vez. Depois que ele partiu é que me coloquei a pensar: "Porque eu nunca pensei nisso?"

A notícia de sua morte foi como um grande susto, daqueles que te pega de surpresa e despreparado. E que notícia de morte que a gente recebe de um jeito confortável, não é? A sensação que tive muito forte foi de que aquela vida que partiu, não tinha esse direito. Como se fosse uma afronta. Depositei tanta coisa nas mãos dele, e ele simplesmente morre?!

Interessante como o nosso egoísmo é extremamente impiedoso. Nada é mais importante do que eu. Fiquei brava... Eu tinha que pelo menos imaginar algo assim! Não pensei em mais nada, somente no fato de que eu tinha perdido uma forte mão que sempre me levantava. Eu, eu, eu....

Somente ao entrar em seu velório eu me dei conta de tudo mais que ele representava. Dei de cara com sua esposa, firme, lúcida, mas bem abatida recebendo o carinho de tantos que ali se colocavam a lamentar aquela perda. Pra dilacerar meu coração, estava ali ao lado do pai falecido, como quem se compromete a cuidar até o fim, sua filha. Uma moça bela e jovem que derramava infinitas lágrimas sentidas. Seu filho estava forte, ao lado da mãe e fazendo o papel cuidador recém deixado pelo pai para ele. Assustado. Triste.

Sim. Aquelas pessoas haviam perdido muito mais do que eu. Meus problemas instantaneamente diminuíram ao ver aquela família enlutada. Pensei comigo: "Se vira aí com seus problemas e deixa ele partir em paz."

Fiquei ali... Assistindo um vídeo onde mostrava um homem que eu tinha um profundo respeito e admiração, mas alguém que não conhecia como vi naquele dia. Passavam fotos dele com sua família, em festas, viagens... Ali estava ele de verdade. Eu conhecia apenas uma faceta.

Chorei tantos dias o impacto da sua perda, mas vê-lo ali se despedindo de todos, em todas as suas facetas, me fez sentir muito honrada por ter cruzado o meu caminho com o dele.

Cheguei pertinho, olhei bem seu rosto, entendi a grandiosidade do seu trabalho e parti em paz.

Obrigada amigo, pelas muitas e preciosas horas onde descobrimos caminhos de vida, onde entendemos tantos mistérios e onde curamos tantas feridas.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Super

Ainda não vi melhor invenção do que histórias de super-heróis. A gente se realiza neles e neles são depositados todos os nossos sonhos de tudo o que a gente não pode ser. Eles nos alimentam de euforia e em contato com eles pensamos, mesmo que por um instante, que também somos muito fortes, muito extraordinários ou muito ousados na luta com a vida.


Coloquei uma roupa, um tênis, amarrei um lenço colorido no pescoço, coloquei meu óculos e enfrentei a multidão para assistir Homem de Ferro 3. Cheguei a conclusão de que só poderia ser muito amor quando vi a muvuca do cinema e disputei os últimos lugares para uma sessão num fim de tarde de sábado.

Numa galera com gente de tudo quanto é idade, me sentei para ver nosso herói tão humano, Tony Stark. De fato, ele é incrível. Muito produtiva a junção entre muito dinheiro e muita inteligência para criar. Nosso herói só foi possível com essas duas coisas, porque tirando isso, ele é humano.

Toda a fantasia do quanto é possível inventar, nos tira da poltrona e nos transporta para dentro daquela aventura. Por duas horas, esqueci completamente de que lá fora haviam muitos leões me esperando e talvez seja por isso a minha imensa paixão por cinema. Tamanho o poder de me tirar do lugar... Me perco horas a fio assistindo um filme atrás do outro. Só não mergulho mais neles porque ainda tenho uma lúcida noção de que a vida é outra fora da tela, mas confesso, me faz um bem danado.

Tony volta com crises de ansiedade que quase o faz perder a razão. É claro... Mais perto da gente ele fica, quando podemos ver um homem que também sofre. Seu sarcasmo é realmente marcante e devolve a ele uma faceta de gente que erra, de gente que tenta se superar, de gente que vive experimentando soluções pra se manter no lugar que conquistou.

Uma aventura leve apesar das criaturas do mal sempre presentes em histórias de super- heróis. Uma sucessão de coisas que dão errado me fez dar gostosas gargalhadas sozinha. Tony transforma o que era pra ser perfeito em processo e experimento. Assim como na vida real, no mundo de Tony Stark também não há garantias.

E o que dizer da surpresa de ver sua armadura, voando em partes, indo ao seu encontro?! Sério mesmo. Uma sacada genial que me trazia a maior vontade de levantar no meio da sala para comemorar. Incrivelmente envolvente aquela aventura que te faz grudar na poltrona e torcer, sofrer, xingar, chorar ou dar risada. Uma delícia de filme.

Como não pensar que aquilo tudo podia realmente dar super certo? Saí do cinema fantasiando um Homem de Ferro para nos proteger em nossa metrópole.

Super-heróis, super queridos...