segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Aventura de natal


Montar árvore de natal é um ritual na minha casa. Todos os anos, os dias que antecedem o natal ficam mais especiais porque adoro encher a casa com esses mimos de papai noel, bonecos de neve, sininhos, laços, bolas e afins.

Meses de novembro e dezembro são meses pesados porque já estamos cansados e pelas tampas com a rotina. O clima de natal vem amenizar esse peso. A cidade ganha um colorido vermelho e luzes pequeninas enchem a cidade de estrelas.

Esse ano igualmente a todos os outros, tirei dos armários toda a parafernália natalina para montar a árvore e ocupar a casa. Para esse ritual acontecer, coloco o mesmo cd de músicas de natal que ouço todos os anos. A música começa e junto com ela toda a arrumação da casa.

Tudo pelo chão, música tocando, e felizes da vida eu e minha filha começamos a montar nossa árvore. Eis que na hora de encaixar a parte de cima da árvore, forcei demais e para a nossa tristeza infinita a árvore se quebrou e tragicamente caiu no chão.Ficamos paralisadas e em silêncio. A música continuava tocando, mas eu já não ouvia mais. Magoada, minha filhota em lágrimas dizia não acreditar que tamanho azar invadiu nosso sagrado momento de montar nossa árvore.

E agora?! Não havia milagre que deixasse nossa árvore em pé novamente. O eixo estava fatalmente partido ao meio. Maior frustração tratou de estragar nossa empolgação.

Olhamos uma para outra com aquela cara de desespero e falei pra ela que estava com uma idéia genial. Atenta e com os olhos ainda marejados, minha pequena ouviu o meu plano.

Saímos correndo e rindo de nervoso cada uma para o seu quarto e em menos de cinco minutos estávamos no elevador prontinhas para pegar o carro e sair em busca de salvar o natal da nossa casa. Nossa missão, as nove da noite, era achar uma árvore nova. Não íamos aceitar assim tão fácil!

Respiramos aliviadas e emocionadas. Achamos! Eu procurava não pensar nesse gasto extra porque nada poderia pagar nossa alegria de volta. Junto com a nova árvore, compramos latinhas de coca-cola gelada para refrescar todo o calor que veio junto com o nosso desespero.

De vota pra casa, ligamos a música de novo, brindamos com coca-cola nossa aventura bem sucedida pela cidade e esquecemos rapidinho todo aquele desgosto. De pijamas, a última coisa que fizemos foi ligar o pisca-pisca que na hora invadiu nossa sala com o clima delicioso do natal. Embaladas pelas luzes que ao piscar nos diziam que logo logo vem o papai noel, adormecemos felizes da vida.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Bocão



De uma listinha de medos que eu tenho, já consegui nessa vida eliminar alguns e lidar melhor com outros.

Uma das últimas conquistas foi vencer o medo de avião que sempre carreguei comigo desde pequena. Se não venci, posso dizer que sei driblar bem isso hoje. Com certeza não me livrei daquela dor de barriga que me invade o vôo todo e nem daquela inquietação que agita a alma, mas enfrento melhor do que antes.

Esses dias tive que mexer em um medo que estava lá quietinho a algum tempo: ir ao dentista. Putz... Cheguei a ficar irritada pensando que já bastava a vida e seus problemas. Ter que sentar naquela cadeira é a morte! Sempre dei um jeito de fugir, pensando que meus cuidados com os dentes era um exemplo de perfeição. Gosto de me enganar pensando que diferente de todos os mortais, eu não preciso desse profissional na minha vida.

É claro que tive que cair na real... Disse pra mim mesma que já era bem grandinha e lá fui eu. Nem toda a simpatia, sorrisos e gracejos da doutora me fizeram achar bom estar ali. Queria mesmo continuar me enganando e viver minha vida sem ter que passar por isso!

Olha ali, olha aqui, puxa a bochecha pra lá, puxa a bochecha pra cá, põe a língua pra lá, põe a língua pra cá, cutuca um dente aqui, põe o espelhinho ali e pronto estava pronta para ouvir o plano de tratamento que ela tinha para os meus lindos e perfeitos dentes. Na minha avaliação, eu não precisava nada além de um parabéns por dentes tão maravilhosos, mas não foi bem isso que ela me falou.

A doutora tinha ao final do seu diagnóstico uma bela listinha de coisas pra fazer. Cada coisa que ela cuidadosamente me explicava, brotava em mim uma careta de medo ou no mínimo de agonia. Pensei que talvez fosse melhor não saber de nada e simplesmente fazer logo, mas a simpática doutora fez questão de me explicar tudo didaticamente tim tim por tim tim.

“Te espero semana que vem pra gente começar!” Foi assim que ela docemente se despediu de mim e eu fui embora dizendo pra mim mesma: “Não me espera não doutora, que eu não vou voltar.” Fui embora com a cabeça fervendo de me imaginar fazendo esse tratamento, que teoricamente de grave não tem nada, mas na prática qualquer procedimento é sinônimo de muito sofrimento. Claro, isso na minha cabeça.

“Bom te ver! Senta aí pra gente começar!” Lá estava eu de volta e era pra valer dessa vez. Cada instrumentinho que ela pegava, eu já imaginava o estrago... Mais de uma hora naquele sofrimento e eu só mexia meu pezinho a cada cutucada mais forte. “Tudo bem aí?” –Perguntava ela cuidadosamente e eu respondia firmemente com um falso jóia.

Apenas comecei esse delicioso tratamento. Saí de lá com vontade de chorar, com dor, com agonia e pensando de novo que não volto mais... Vou dizer que não volto mais lá até acabar o tratamento porque tenho aprendido assim: O que é a vida, se não um constante movimento de enfrentar os medos?