terça-feira, 22 de outubro de 2013

Simples assim


Descobri que está muito fácil ser feliz. A gente complica tudo querendo o impossível, desejando o que só a vida e o tempo podem trazer ou controlando o que não cabe no nosso controle.


Pensando nisso fiz uma listinha de coisas que me fazem sorrir e são tão singelas que se tornam tão grandes...

Ouvir música
Cantar bem alto no volante
Céu azul
Canecas coloridas
Fazer sopinha pra galera de casa
Fazer bolo de chocolate
Comer bolo de chocolate
Frutinhas com Karo
Barulho de panela de pressão
Cházinho
Filminho
Andar de meia em casa
Pijamas coloridos
Cheirinho de chá de maçã com canela
Banho quente
Quebra cabeça
Sentar no chão
Deitar no chão
Caminhar na rua
Fone de ouvido
Canetas coloridas
Manteiga de amendoim crocante
Cachorro quente
Livros
Poesia
Coleções
Brinquedos pela casa
Desenhos pela casa
Macarrão
Sofá
Edredom
Almofadas
Mantinhas
Pantufas
Sucrilhos com banana
Bordado
Fotografias pela casa
Rádio ligado pela manhã
Desenhar no box embaçado
Cantar no chuveiro
Desenhar
Pintar
Caderninhos
Escrever
Contemplar bebês
Abraços
Pé quentinho
Corujas
Flores pela casa
Recados na geladeira
Esmaltes coloridos
Orações compridas
Falar sozinha
Casa arrumadinha
Séries da TV
Bichinhos de pelúcia


Essa é a minha listinha, coloca no papel a sua que com certeza você vai ver que tem tantos motivos para sorrir que os motivos para chorar ficam mais fáceis de aguentar...

domingo, 20 de outubro de 2013

Puzzle




Comprei um quebra-cabeça. Não sei porque, andava a algum tempo procurando até que finalmente achei um do qual gostei bastante. É uma fotografia da Torre de Pisa na bela região da Toscana na Itália, dividida em mil peças.

Olhei pra caixa, vi a fotografia e li: "1000 peças". Pensei comigo: "Ah... Mil peças nem é muito... Vou levar." Ainda fiquei na dúvida se não devia ousar com um de mais peças que vi ali junto, mas achei melhor ir com calma.

Muito animada, cheguei em casa e abri a caixa. Imediatamente meu sorriso foi sumindo...Olhei aquela infinidade de peças e não sabia por onde começar. Fui ficando angustiada já querendo prever quanto tempo levaria para cumprir aquela missão. Mexi as peças pra lá e pra cá pensando porque será que tive essa idéia. Olhei bem para as peças e percebi quantas delas eram azuis, todas iguais. Como montaria aquele céu azul? Onde poderia montar? Como faria? Olhava as peças e não entendia absolutamente nada...

Assustada com a minha frustração, fechei a caixa e decidi deixa-la ali na sala à minha vista. Cruzava meu olhar com aquela caixa toda vez que passava por ela. Ali, em cima da mesa, mesmo em silêncio ela me provocava e me desafiava insistentemente. Fizemos uma guerrinha silenciosa em casa. A caixa se agigantou pra cima de mim e eu acuada olhando pra ela e pensando o que fazer.

Essa situação me fez pensar que na vida, as dificuldades fazem exatamente isso com a gente. Assustam, parecem insolúveis, impossíveis, gigantes e exageradamente complicadas de se resolver. Foi isso que senti quando me deparei com as mil pequenas peças. Pensei: $&@?#%{€£¥*%#=^, e agora?! Ferrou...A gente se depara com aquilo e fica paralisado sem sair do lugar. Eu já me senti assim, num beco de morte, com uma dor impossível de suportar e com a certeza de que daquela não passaria com vida. E adivinha? Estou aqui bem viva depois disso tudo e carrego a certeza de que a dor não só dói, mas faz a gente crescer e mudar pra melhor. Nunca mais nada me fez ficar acuada e em desespero. Lição vivida, lição para sempre aprendida.

Sim. O quebra-cabeça me fez pensar em muita coisa. E cada vez que olhava para ele ali em cima da mesa, tinha uma sensação de que ele era mais forte do que eu, tinha a sensação de que errei ao compra-lo e pior: tinha a sensação de que não seria capaz se quer de começar a monta-lo. Putz! Passei uns dias me perguntando que raio de idéia foi essa?!

Peguei a caixa. Olhei tudo de novo. Fiquei ali em silêncio. Pensei que precisava enfrentar aquilo devagar e com calma. Não queria mais conviver com a caixa na minha sala, me assustando e dizendo pra mim que ela era invencível. Sentei no chão e decidi separar dentre as mil, todas as peças que formam a borda. E lá fui eu... Uma por uma... Até que na minha frente havia apenas um punhado de peças que não me causavam medo algum. Separei por cores, consultei infinitas vezes e imagem inteira, me debrucei sobre cada encaixe para me certificar se era correto, desfiz alguns enganos que aparentemente pareciam encaixes perfeitos e assim comecei a resolver aquele problemão.

Tempos ali e foi possível ver a imagem começar a nascer. Toda a borda do chão estava montada e aquilo não representava nem metade da metade do meu quebra-cabeça, mas eu estava aliviada por ver que aquilo não era impossível. O problema ainda é grande, tenho muitas peças para quebrar a minha cabeça, mas assim como na vida, não tenho medo mais.

A medida que vou achando cada peça e visualizando uma parte daquela fotografia, tenho uma satisfação enorme! Gritei: "yeah!" quando achei uma peça que fiquei um tempão procurando. Minha filha veio correndo perguntando: "conseguiu?" E quando ela viu aquele pouquinho de peças montadas ela me perguntou: "Porque você está tão feliz se ainda falta tanto?" Respondi pra ela: "Porque não estou preocupada mais com o quebra-cabeça todo, estava procurando essa bendita peça aqui..." Quanta alegria quando a encontrei, apesar de ser uma parte tão pequena do problema.

Estou quase terminando a borda daquela imagem e esse quebra-cabeça me traz tantos pensamentos que até fiz as pazes com ele. Está lá no chão de casa agora me dizendo que os problemas assustam menos quando a gente começa a resolve-los mesmo que devagar. Ficar parada deixando que aquela caixa me amedrontasse era muito pior do que enfrenta-la. Vez por outra sento e acho algumas peças que se encaixam. A medida que o tempo passa, parte da imagem é revelada e eu fico pensando o quanto perdemos da vida por medo.

Uma peça, depois outra e outra.... Porque entendi definitivamente que o problema é gigante quando a gente não enfrenta, não mexe ou foge. Começar a montar o quebra-cabeça da vida pode nos surpreender quando nos deparamos com uma capacidade incrível de sobrevivência que temos e ainda temos a oportunidade de descobrir que somos bons em resolver problemas. Só é possível ver tudo isso quando a gente mergulha nas peças, porque longe delas o medo é infinito.

domingo, 13 de outubro de 2013

Outubro




De repente é Outubro. Para esse ano já temos mais passado do que futuro. Os dias parecem acelerados e impiedosos. Quando éramos crianças os dias pareciam infinitos, havia tempo para tudo e tempo para não fazer nada. À medida que o tempo passa os dias encurtam...

Ouvi de alguém que o tempo que temos é só o agora porque o passado já foi e o futuro nunca chega, é como a linha do horizonte quando você tenta alcançá-la.

Parece que o corpo sente o ano acabando e vai dando sinais de esgotamento. O ano termina exatamente junto com o nosso limite.

A vida vai passando nesse cronos que sempre nos avisa que cada dia a mais é um dia a menos. Ao mesmo tempo que uns partem, outros nascem... Enquanto uns choram, outros se alegram na mesma intensidade.

O que fica é o grande desafio de deixar para trás o que passou e ter serenidade para receber o que há de vir. O hoje é o que a gente tem nas mãos e é nele a chance de dar significado para os nossos dias.

Lamentos e esperas levam o brilho embora, nos faz fantasmas do hoje porque ambos são intocáveis um passou e o outro pode não acontecer. De tão simples que é, fica complicado pensar... Que o tempo é agora.

sábado, 5 de outubro de 2013

É pra lá que eu vou



Sempre carreguei a fama de calma e paciente. De fato não sou sanguínea ou de pavio curto, mas tenho tido a consciência de que não seria nada mal dar uma explodida de vez em quando para exorcizar uns monstrinhos.

Minhas explosões são internas e meu estômago vive em cacarecos em nome dessa calma toda. Optar pelo silêncio faz estrondos por dentro, não sei se tem muito a ver com escolhas mas de verdade, bem ou mal, eu sou assim.

Ultimamente minha tão apreciada paciência parece estar entrando em extinção. Minha versão professora que o diga! Se você fizer uma ausculta no meu peito, terá a oportunidade de ouvir um magnífico coral de sapos. Todos hóspedes meus que eu engoli. Você deve ter os seus também, todos nós temos...O problema é que a impaciência guardada e silenciosa me faz sentir um cansaço de outro mundo. Tenho dito que ao invés de dormir, eu deixo de existir por algumas horas tamanha canseira que me bate! Tudo lá dentro...

Prefiro o silêncio do que ser indelicada com quem não tem culpa de nada. Isso me irrita um pouco, quando a pisada na bola é justificada por problemas pessoais. É preciso um treino constante para conseguir administrar o que é nosso e o outro não tem porque pagar.

E a chatice? Putz... Falta de paciência deixa a gente ranzinza! Outro dia o pobrezinho do garoto veio me pedir para ir ao banheiro e eu pedi para que ele fosse "bem rapidinho" por causa do horário de término da aula. Quando ele saiu correndo, eu gritei "sem correr fulano!" Nem eu me aguentei naquela manhã, que dirá o coitadinho que deve ter pensado que eu estava pra lá de chata e além de tudo confusa.

Olho aquela sala com trinta seres humanos de idade complicada e vejo milhares de situações acontecendo ao mesmo tempo, o material ganha asas e voa pela sala, as vozes ganham amplificadores, ouço o meu nome sendo chamado infinitas vezes, vejo amor entre uns e ódio entre outros.... Tudo dentro do mesmo espaço e eu procurando uma dose extra da minha tão querida paciência.

A boa notícia é que eu tenho a solução para tudo isso. Descobri que na Capadócia tem fábricas de lindos tapetes artesanais. A mulher artesã passa o dia sozinha e em silêncio na frente do tear, cruzando lindos fios coloridos por horas e dias até que seu tapete fique pronto finalmente. São lindos, caríssimos, e feitos no absoluto silêncio. Vou trabalhar lá por um tempo, fazendo lindos tapetes...Que tal?!