Meu amigo cineasta Tim Burton, está sempre dividindo as opiniões com seu gosto pelo sombrio. A mim ele com certeza já ganhou como grande admiradora do seu trabalho. Sua animação Frankeweenie atualmente em cartaz, me fez novamente pensar que ele sabe incrivelmente fazer uma inesperada mistura entre o doce, o delicado e o sombrio e tenebroso. A princípio são misturas pouco prováveis, mas ele de novo conseguiu um belíssimo resultado.
Com uma releitura da história de Frankstein, o desenho inteiro em preto e branco e tratando especialmente da morte e como lidar com ela, a trama consegue ter as crianças atentas e envolvidas do começo ao final. Tim Burtom consegue colocar vida e graça naquelas criaturas esquisitas, pálidas e de olhos arregalados. É um personagem mais estranho que o outro com trejeitos meio neuróticos que encantam de uma maneira surpreendente.
É a segunda vez que me admiro com sua tamanha habilidade de trabalhar a questão da morte com um público infantil. Em Noiva cadáver, divertidos esqueletos dançam cantando: “...Vai, vai chegar sua vez, a morte virá não importa o freguês. Você pode até se esconder e rezar, mas do funeral não irá escapar...” A história tem um lindo desfecho quando a noiva cadáver se liberta virando encantadoras borboletas que voam para a eternidade. A morte é tratada com delicadeza, humor e um toque leve da dor real que ela causa.
Como não lembrar da doçura de Edward Mãos de tesoura? A estranheza ganha ternura naquela linda história. Em A fantástica fábrica de chocolate e Alice no País das Maravilhas existe uma loucura muito sedutora nas personagens interpretadas por Johnny Deep, que por sinal tem sido uma parceria muito feliz.
Todo visual sombrio e estranho das obras de Tim, propõe sempre uma poética especialmente bela e isso me encanta sempre...
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