quarta-feira, 3 de abril de 2013

Tem Mulher nessa casa

Depois de um dia de trabalho, nada melhor do que um banho quentinho, certo? Foi com esse desejo no coração que cheguei em casa. Abri o chuveiro e até suspirei com aquela água quentinha que levava embora todo o peso do dia.

Eis que num piscar de olhos quando enxaguava minha, não pouca, cabeleira, sinto uma água dolorosamente gelada cair sobre mim e o chuveiro resolveu se calar. Fechei o chuveiro, abri de novo e assim fiz algumas vezes. Nada. Ódio. O que fazer com todo aquele xampu? Como enfrentar a água gelada? E o resto do meu banho?

Numa quase tortura tive que enfrentar o que me foi imposto: Água gelada. Me coloquei a resmungar aquela maldição que de maneira alguma devia acontecer nessa vida. Banho é sagrado. Água quente é sagrada.

Terminei o meu banho numa infelicidade que não cabia em mim. Coloquei uma roupa quente pra acalmar o meu corpo que sofria de frio, e completamente irritada voltei no banheiro e encarei o chuveiro. Fiquei lá olhando pra ele e imaginando tudo que teria que fazer: Primeiro, achar alguém e segundo, esperar esse alguém resolver o tal problema. Enquanto isso, sem banho quente... Até quando?

Indignada fiquei lá olhando para aquele infeliz daquele chuveiro. Pensei comigo que não era possível aquela situação. Teria mesmo que esperar um homem aparecer?! Ah não... Uma mulher teria que ser suficiente! A raiva é mesmo um bom impulso que as vezes nos faz sair do lugar. Peguei uma escadinha, alicate, tesoura, chave de fenda e o que mais achei que fosse precisar. Desliguei a força e subi lá pensando: "Você vai se ver comigo."

Cresci vendo meu pai fazendo essas coisas de casa. Empoleirado em escadas, se equilibrando em cadeiras em cima de mesa, deitado no chão ou pendurado em algum lugar, sempre deu um jeito em tudo. Uma espécie de Mac Gyver, ele toda a vida achou uma solução para essas coisas. Tudo tirava de letra. O que você precisar é possível achar em sua mega caixa de ferramentas. E eu, desde pequena, só observando de perto. Mais parecia uma gandula ou instrumentadora cirúrgica que ia passando pra ele as ferramentas necessárias em suas operações quase impossíveis.

Em cima da escadinha tudo isso me veio a mente. Sabia exatamente o que tinha que fazer sem nunca ter feito. Desconectei os fios, um por um e desenrosquei o chuveiro da parede. Era um troféu na minha mão! Pressenti que se tratava de uma simples troca de resistência e levei o chuveiro em um lugar para consertar.

De cabelo molhado e chuveiro na mão, expliquei para a pessoa responsável o que tinha acontecido. Eu estava certa. Era apenas uma resistência queimada, e eu ainda fiquei famosa na loja por ter desinstalado sozinha o tal do chuveiro rebelde. Voltei para casa com o chuveiro consertado e orgulhosa do que a minha raiva me fez fazer.

A questão agora era instalar... Mas eu estava tão contaminada de orgulho próprio que pensei que se eu tinha tirado ele dali, seria capaz de colocar de volta. E lá vou eu na escadinha com fita isolante, veda-rosca, alicate e afins. Me senti armando uma bomba igual nos filmes do 007. Ligar os fios corretamente era imprescindível... Achei o tal do fio-terra e fiz as conexões como manda o figurino.

Chuveiro instalado, raiva orgulhosa e depois... o melhor banho do mundo!

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