sábado, 5 de outubro de 2013

É pra lá que eu vou



Sempre carreguei a fama de calma e paciente. De fato não sou sanguínea ou de pavio curto, mas tenho tido a consciência de que não seria nada mal dar uma explodida de vez em quando para exorcizar uns monstrinhos.

Minhas explosões são internas e meu estômago vive em cacarecos em nome dessa calma toda. Optar pelo silêncio faz estrondos por dentro, não sei se tem muito a ver com escolhas mas de verdade, bem ou mal, eu sou assim.

Ultimamente minha tão apreciada paciência parece estar entrando em extinção. Minha versão professora que o diga! Se você fizer uma ausculta no meu peito, terá a oportunidade de ouvir um magnífico coral de sapos. Todos hóspedes meus que eu engoli. Você deve ter os seus também, todos nós temos...O problema é que a impaciência guardada e silenciosa me faz sentir um cansaço de outro mundo. Tenho dito que ao invés de dormir, eu deixo de existir por algumas horas tamanha canseira que me bate! Tudo lá dentro...

Prefiro o silêncio do que ser indelicada com quem não tem culpa de nada. Isso me irrita um pouco, quando a pisada na bola é justificada por problemas pessoais. É preciso um treino constante para conseguir administrar o que é nosso e o outro não tem porque pagar.

E a chatice? Putz... Falta de paciência deixa a gente ranzinza! Outro dia o pobrezinho do garoto veio me pedir para ir ao banheiro e eu pedi para que ele fosse "bem rapidinho" por causa do horário de término da aula. Quando ele saiu correndo, eu gritei "sem correr fulano!" Nem eu me aguentei naquela manhã, que dirá o coitadinho que deve ter pensado que eu estava pra lá de chata e além de tudo confusa.

Olho aquela sala com trinta seres humanos de idade complicada e vejo milhares de situações acontecendo ao mesmo tempo, o material ganha asas e voa pela sala, as vozes ganham amplificadores, ouço o meu nome sendo chamado infinitas vezes, vejo amor entre uns e ódio entre outros.... Tudo dentro do mesmo espaço e eu procurando uma dose extra da minha tão querida paciência.

A boa notícia é que eu tenho a solução para tudo isso. Descobri que na Capadócia tem fábricas de lindos tapetes artesanais. A mulher artesã passa o dia sozinha e em silêncio na frente do tear, cruzando lindos fios coloridos por horas e dias até que seu tapete fique pronto finalmente. São lindos, caríssimos, e feitos no absoluto silêncio. Vou trabalhar lá por um tempo, fazendo lindos tapetes...Que tal?!

Um comentário:

  1. Adorei para variar o texto real ficção!A paciência, ciência da paz, é algo que é para ser desenvolvido e não haver uma implosão descendo quente até seu estomago!Ficar chateada é normal, porém ficar "doente" pelo que os outros estão deixando de fazer , é na certa delegar a eles um poder que sabes que não tem, e em vez de entrar em cena a rigidez, que tal colocar mais leveza e sem levar tão a sério o seu ofício, que faz tão bem!Por outro lado se for para a Capadócia,me chama que vou, quero ouvir o som do tear também!beijos!

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