terça-feira, 2 de junho de 2015

O hit






"Eu não te amo mais". Imagine um homenzarrão dizendo isso com uma chupeta na boca. Pois é essa a imagem que eu tenho de uma geração masculina que hoje se encontra entre trinta e cinquenta anos.

Digo isso porque não se passa uma semana sem que eu ouça de mulheres diferentes, histórias muito parecidas. É claro, guardadas todas as proporções de se ouvir apenas o lado feminino da história o hit "eu não te amo mais " está sempre presente.

Analisando algumas histórias, é fácil perceber que a tal frase destruidora é usada muitas vezes levianamente. É claro que o amor, por uma série de razões pode tanto acabar quanto ser eterno. Não há regras para o amor e cada história corresponde a um universo infinito de diferentes possibilidades. Porém tenho visto e achado bastante interessante que em muitos casos não é o amor o problema.

Essa geração masculina parece um tanto confusa e infantilizada nos dias de hoje. O papel masculino tem escapado entre os dedos dos homens que já não sabem ao certo como lidar com perdas, frustrações e principalmente com o medo.

Assustados com  vida, se veem incapazes de se aliar ao amor com  segurança de gente grande. O menino aventureiro ou o menino assustado parece sempre falar mais alto. Enfrentar as situações junto com a sua parceira como homens que são (ou deveriam ser) parece algo impossível, monstruoso e assustador e fugir lhes parece ser a melhor das opções.

O hit "eu não te amo mais" é destruidor para a alma feminina, no entanto é o melhor argumento para que possam ir embora sem ter que lidar com seus fantasmas. Ora, contra fatos não há argumentos! O que se pode dizer para aquele que diz que seu amor acabou?! Não há o que dizer, acabou, acabou. Pode se tentar entender o porque, mas isso não muda o fato de que acabou. Tal frase deixa a parceira sem armas para lutar, pois o camarada pegou bem na alma e ali não há recursos racionais que se possa lançar mão a fim de consertar o que quer que seja. Para o coração não há razão, então não há o que fazer.

É interessante o fato de que em tantas e tantas histórias que conheço, o tal camarada que colocou a boca no trombone dizendo que não ama mais estava passando por um momento turbulento de alma e de angústia com a vida. A questão é muitas e muitas vezes consigo próprio e não com o outro. São questões que envolvem identidade, carreira, traumas, família, finanças,passado e infinitos motivos que deixam qualquer um de fato atordoado.

Sim, os motivos são reais, as dores existem, os traumas são grandes e as dificuldades realmente são por vezes assustadoras. Não quero aqui diminuir o tamanho da dor de cada um em absoluto. A grande questão é a falta de habilidade de lidar com as adversidades que os transformam em bebês chorões que tem medo da vida de adulto. Onde foi parar essa capacidade em lidar com as grandes e complexas questões que a vida nos trás?

Sair correndo, querer sumir e se desesperar com os problemas que a vida nos trás me parece ser uma solução bastante equivocada. Sem dizer daqueles que parecem cachorro correndo atrás do próprio rabo que não conseguem sair do lugar. Dispensam suas parceiras, perdem a fascinante chance que o amor lhes trás e ficam patinando no mesmo lugar de olhos arregalados para os problemas e angústias da vida. 

De fato tenho me assustado em constatar a cada dia que muitos e muitos homens parecem não saber onde está seu lado mais agressivo e viril no lidar com questões subjetivas e de alma. Curiosamente são homens que tem carreira, estabilidade, demonstram bastante inteligência no lidar com o racional e são também grandes amantes na cama, porém se fazem meninos diante dos medos e grandes desafios da vida.

Seus furacões internos saem atirando destroços e ferindo quem está perto, pois se perdem na capacidade de lidar com os conflitos que são comum a todos nós. Se privam do amor verdadeiro depois que percebem que amor verdadeiro não nos priva de continuar a luta. Perdem, se perdem, ferem e se machucam.

Atenção meninos! O amor pode ser uma experiência simples e extraordinária quando se enfrenta o medo e o medo pode ser uma triste experiência de perdas quando não é tratado com seriedade de gente grande. Vamos tentar?!

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