terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carrossel



Ando procurando a razão pela qual a loucura consegue seduzir tantas mentes e corações. Porque se apaixonar pela insanidade? Porque se enroscar na trama difícil da instabilidade?
Debruçada nessa questão intrigante, me lembrei da louca e gostosa sensação de ir em uma boa montanha russa. Você já foi? É intenso o sobe e desce, a velocidade é deliciosa, e ainda paradas estanques e movimentos bruscos. Depois de alguns segundos a gente sai com dor de cabeça, respiração ofegante, coração descompassado e uma tremenda náusea na boca do estômago... Certo?
Se você dedicar alguns minutos para observar a movimentação das pessoas ao saírem da montanha russa, facilmente perceberá que muitas delas vão direto da saída para a entrada novamente. Enfrenta-se fila, dribla-se o mal estar que aquilo tudo causou e corajosamente volta-se para aquela situação repetidas vezes mais. Uma hora o corpo pede socorro, e o indivíduo já destruído se vê forçado a parar.
Será que isso se aplica à minha intrigante questão? Fico pensando que pode ser que sim, mesmo sem entender direito onde estão os ganhos a médio e longo prazo.
Sou alguém que opta sempre pelo carrossel, pelo barquinho na montanha encantada, pelo trenzinho ou pela roda gigante. A montanha russa me atrai pouco e se eu for será sofridamente uma única vez.
Me encanta a suavidade, a música que embala e a paisagem que passa lentamente. Me encanta o sorriso que vem de uma gostosa sensação de friozinho na barriga, me encanta brincar podendo segurar uma maçã do amor ou um algodão doce.
Entendo portanto por esse viés de pensamento, que o intenso e o insano faça suas vítimas trazendo a ilusão de total aproveitamento ou a sensação de roda viva que vicia por trazer picos de prazer.
O simples, o sereno, o doce, o tranquilo, o delicado e o lento facilmente perdem sua força quando equiparados com a sedutora loucura. Não se trata de uma questão moral, de certo ou errado, mas de uma maneira de ver a vida e se relacionar com ela.
O que me intriga, é que tenho me deparado com corações e almas despedaçadas por se acidentarem de lá do alto da montanha russa. Quando ela despenca, a queda é violenta... A recuperação é dolorida, lenta e deixa profundas cicatrizes. Contudo, esse ser machucado, debilitado e recém recuperado volta devagar para a fila da montanha russa pois não consegue entender a beleza do carrossel...

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