domingo, 25 de setembro de 2011

Só na 25


Ir na 25 de Março é de fato um desafio e pode se tornar uma grande aventura se você souber lidar com aquilo tudo. Precisei comprar umas coisas que infelizmente ou felizmente eu só poderia achar lá, e como sempre me diverti muito.

Na estação do metrô, antes de sair para a badalada Ladeira Porto Geral, já escutava os bem humorados vendedores que ficam ali na calçada cheios de coisinhas penduradas e com toda a certeza de que o que ele está te oferecendo é exatamente o que você precisa.
O interessante é o fato de que tudo o que eles anunciam que estão vendendo, vem seguido de "ó" ( "lembrançinha de casamento aqui ó"). Eles nunca tem o produto ali para mostrar apenas uma promessa que provavelmente vai te fazer entrar em uma portinha e subir uma escadinha infinita até chegar em uma lojinha.

Passar pela Ladeira é um grande desafio se você não gosta de esbarrões, gritos, espirros ou cheirinhos desagradáveis que são resultado de uma grande muvuca de gente.
Por outro lado você ganha massagem nas costas com um aparelhinho que vibra, você ganha um relaxamento no couro cabeludo com uma garra de metal que pega sua cabeça inteira, você ganha a retirada de bolinhas da sua roupa velha, você ganha demonstrações de pilhas que funcionam, bichinhos que nadam em uma bacia com água, conjunto de facas que cortam tudo e agradáveis apitos ensurdecedores.

Andar na 25 é poder ver a cara do nosso povo... Gente que trabalha com o que tem nas mãos. Vem o "rapa" fazendo uma limpa nas ruas e calçadas e quando chegam no final do quarteirão, o começo já está novamente tomado. Essa brincadeira de gato e rato já está incorporada na alma da rua e de todos que ali passam, sejam clientes ou comerciantes. A polícia finge que põe moral e os ambulantes fingem que obedecem. Ambos sabem da existência e persistência dos dois lados e no final das contas está tudo bem. De vez em quando uma mega operação para que a classe média alta bata palma e todo mundo faz de conta que o sistema funciona.

Portanto, não deixe de passar por ali... É um mundo cheio de questões pulsando, cheio de vida e com um visual interessantíssimo cheio de cores e composições inusitadas. O simples fato de andar ali pode te trazer questões intrigantes sobre cidade, coletividade e urbanidade. Que tal experimentar?

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