quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Um nó só
Quando estamos diante de um nó, temos duas opções: Tentar desfazê-lo ou deixá-lo quieto e conviver com ele.
Eu por exemplo, tenho uma corrente que está com um pequeno nó em uma das pontas. Decidi deixar porque eu não consegui desfazer e o medo de quebrar aquela corrente que eu gosto, me fez tomar essa decisão.
O problema é que nem tudo é como a minha corrente... Tem nó que não dá para simplesmente deixar de lado, tem nó que precisa ser desfeito e quando ele está bem dado parece uma missão quase impossível.
Estou atualmente tentando desfazer um nó e como tenho tido a mania de ler e xeretar sobre as palavras que insistem em habitar minha mente, hoje a minha pesquisa foi sobre nós.
Eu sempre soube que existem muitos diferentes tipos de nós e cada um deles tem uma função, porém o meu conhecimento sobre nós não passava disso.
Fiquei encantada ao me deparar com um nó pior do que o outro e me diverti sozinha, na tentativa de classificar o meu nó.
Logo de cara, percebi que infelizmente o meu nó não podia ser classificado como “Nó cego”. Esse nó escorrega e é praticamente inútil, é como se fosse um falso nó que se desfaz na tentativa de finalizá-lo. Que pena! Adoraria chamar o meu nó de “Nó cego” e perceber que na verdade trata-se de um pequeno embaraço com cara de nó.
Depois fiquei pensando que apesar de achar que o meu nó não é um “Nó cego”, pode ser que seja também. Digo isso porque é comum que a gente considere um nó algo que é a princípio só embaraçoso. A gente já se assusta só de ver e nem quer chegar perto para mexer...
Me chamou a atenção o nó “Volta do fiel” , fiquei pensando que o meu nó pode ser esse. Sua maior qualidade é que ele aguenta qualquer tipo de tensão e não sai do lugar, serve para amarrar a corda a um ponto fixo. Esse nó é forte e aguenta tudo, mas não é impossível de se desfazer basta você percorrer o caminho da corda que você consegue. Desfazer um nó vez por outra requer esse caminho de volta... É preciso parar, refletir sobre todo o percurso do problema até achar onde está o ponto de conexão que amarra as questões principais. Fazer esse percurso exige calma e uma clareza que as vezes a gente não tem por estar no meio de um nó, mas é preciso mesmo parar e devagar investigar os caminhos da corda, trilhar esse percurso com uma das pontas nas mãos e achar o caminho que desfaz o nó. Esse nó exige decisão, esse nó exige razão. Olhar para ele pode assustar porque o seu desenho tem voltas e cruzamentos que confundem o nosso olhar e a gente não sabe onde tudo começa e onde tudo acaba. Ansiedade e pressa não ajudam nesse caso.
O “Nó corrediço” também entrou no meu leque de possibilidades para classificar o meu nó. Sua principal característica é que quanto mais se puxa, mais ele aperta. Essa característica parece ser comum a todos os nós, mas na verdade não é. A força não se aplica a todos eles e sim uma lógica de entrelaçar corretamente a corda conforme a necessidade.
O “Nó corrediço” se faz eficaz a medida que ele recebe puxões fortes. É comum ele ser usado para amarrar cavalos. Quanto mais o cavalo tenta sair do lugar, mais preso ele está.
As vezes a gente está diante de um nó assim... Quanto mais a gente mexe, mais piora, mais aperta o nó e o problema só faz aumentar. Certamente esse nó nos faz agir no desespero e com atitudes apressadas, angustiadas e ansiosas. Na ânsia de resolver, estamos puxando a corda, apertando o nó e nos distanciando da possibilidade de desfazê-lo. Esse nó é um perigo! Se estiver diante de um “Nó corrediço”, é importante ter cautela porque ele até escorrega e sai do lugar, mas cuidado com a força...
Por fim, também simpatizei com o “Nó enfardador”. Na verdade o que eu gostei nesse nó foi o fato de que a gente tem controle sobre ele, pois esse nó traz como principal característica a possibilidade de ajuste.
Racional como sou, adoro ter o controle das situações e nó pra mim é exatamente quando percebo que não tenho controle nenhum por mais que eu queira.
Esse nó é bacana... Você está no controle! Não deixa de ser um nó, mas você consegue ajustar, você consegue administrá-lo até conseguir desfazer. Pode até ser um nózinho proposital, como aquelas situações que você entra já sabendo que é problema, mas fica ali naquele nó administrando, ajustando, apertando, afrouxando até você se encher e perceber que mesmo tendo o controle não deixa de ser um nó!
...A verdade é que nó é nó e qualquer que seja a sua classificação ele não deixa de ser um nó, um ponto de tensão, um ponto de preocupação, algo incômodo por mais que você resolva deixá-lo quieto. Minha corrente está lá com o nó parado, mas toda vez que eu vou usá-la eu tenho que olhar para aquele nó e encarar o fato de que a corrente não está do jeito que deveria...
Desfazer nós é algo que demanda energia, tempo, dedicação e razão, mas ainda acho que vale a pena por mais penoso que seja. Conviver com nós é conviver com a sensação de que tem coisa errada e as vezes a gente se acostuma com nós porque muitos deles são como o “Nó enfardador”, é possível viver com ele.
Fico pensando na figura da corda e me incomoda pensar que tenho uma guardada amontoada e cheia de nós. Gosto mais da figura da corda enrolada e organizada ocupando somente o espaço necessário. Uma corda bagunçada e cheia de nós sugere caos e eu insisto em manter a ordem aqui dentro custe o que custar.
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