sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma questão antiga...


Interessante a relação do ser humano com a dor. Eu procuro sempre, sempre evita-la porque já a experimentei de uma forma muito concentrada e crua. Na minha cabeça, essa minha atitude de correr da dor era um tanto óbvia e fazia parte de uma reação da maioria das pessoas, mas tenho percebido que não é bem assim. Essa discussão na verdade é quase tão antiga quanto o próprio homem. Em seu texto " O homem não foge da dor" Nietzsche caminha nessa reflexão intrigante estabelecendo uma relação entre a dor e o poder. " Não é verdade que o homem procura o prazer e foge da dor (...). A dor não só tem por consequência necessária a diminuição da sensação de poder, como até serve, na maioria dos casos, como excitante, da mesma sensação de poder, sendo o obstáculo um stimulus dessa vontade de poder."
Há sentido mesmo nessa relação da dor com o poder. O poder cega, ilude, excita e trás sensações que extrapolam com o que a normalidade supostamente possa gerar. Lidar com a dor significa lidar com adrenalina, significa lidar com o fato de ter sempre algo extraordinário para administrar. Certamente a rotina fica mais emocionante quando se tem que lidar com picos e com extremos.
Vinícius qualificou o amor numa relação direta com a dor quando afirmou "... Que todo o grande amor só é bem grande se for triste." O tom do drama teatral trás intensidade para que todo um contexto, ganhe uma faceta mais sedutora. Certamente o cinema faz uso do drama para arrebatar corações e eu sou prova disso. Um belo drama que me leva as lágrimas, com certeza entra para a minha coleção de filmes prediletos muito antes que qualquer boa comédia.
Tenho me debruçado a tentar entender o porque optar pelo caminho da dor, pois essa é a opção que tendemos a fazer! Quantas vezes a gente não reconhece que foi preciso quebrar a cabeça para que entendêssemos aquilo que na verdade sempre esteve muito claro? Parece que a dor tem um componente de curiosidade muito instigante...
Entendo um pouquinho mais cada vez que me dedico a essa questão. Consigo formatar relações possíveis, consigo explicações que fazem um certo sentido, consigo até entender algumas razões. De fato cada dia mais tenho me deparado com corações que escolheram o caminho da dor para depois saberem que podiam ter aprendido talvez as mesmas coisas no caminho do amor. Já ouviu essa frase? "Vais aprender no amor ou na dor..." São caminhos e são escolhas.
Minha opção tem sido sempre que possível sem dor... É uma opção que não exclui a dor porque esse poder nós não temos, mas é uma escolha, é uma maneira de se relacionar com a vida. É um jeito de caminhar. Não troco a beleza do que é doce pelo amargor da dor por mais sedutora que ela se apresente. As conclusões a que se chegam são quase sempre as mesmas, os caminhos é que são diferentes!
Ao fim de uma jornada, meu desejo é não só a vitória, mas chegar inteira...

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