Uso óculos. Na verdade não sou dependente dele, ele serve para ficar à minha disposição e para a minha alegria.
Durante muitos e muitos anos eu precisei do óculos por conta de uma miopia, até me submeter a uma cirurgia que zerou tudo.
Eu gostava de usar óculos, quase desisti de curar minha vista por puro afeto a ele. Me lembro que depois da cirurgia, passei anos ajeitando no nariz um óculos que já não existia mais. Ficou esse eco.
Dentre algumas mudanças que eu observo por ter passado dos trinta anos, um leve astigmatismo apareceu.
O médico receitou o óculos somente para o caso de me sentir com a vista cansada, porque realmente o grau é bem baixo.
Acontece que carinhosamente apelidei meu óculos de placebo. Placebo, de acordo com um dicionário médico é: "nome dado a qualquer medicamento administrado mais para agradar do que beneficiar o paciente." Sabe água com açúcar que acalma a criança? Pedacinho de algodão com aguinha gelada que cura tudo? Ou mesmo uma gotinha de qualquer coisa na água que conforta até mesmo uma adulto? Pois é... Poderosos recursos mais emocionais do que qualquer outra coisa. É a nossa atitude e postura que muda, certo?
Dias de alma perturbada, são dias que chego em casa e coloco óculos. E digo uma coisa: Funciona! Se preciso clareza nas idéias e foco na mente tenho um excelente paliativo que não resolve, mas alivia. Se minha alma está pesada, minha vista fica cansada... O que é o óculos, se não um objeto que te ajuda a ver melhor e com mais clareza?!
É comum você me ver de óculos em fim de semana. A mente sem tantas obrigações com certeza é espaço para divagar nos pensamentos até se angustiar com eles. É comum me ver de óculos em casa, a noite...
Conversa de doido? Pode até ser... Mas confesso que a vida não tem tanta graça sem essas loucuras deliciosas. Entre tantas outras manias, escolhi essa pra hoje. Está rindo de mim? Tudo bem, faço muito isso também.
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