quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fala Dr. House...



Passei uns dias de feriado na companhia do Dr. Gregory House. Estava muito mais receptível à sua maneira ranzinza de ser do que à folia a que se propõe o carnaval. E de fato o meu baile foi dentro do Princeton-Plainsboro Teaching Hospital.

O seriado americano, traz uma figura excepcional na personagem do Dr. House. Médico genial e de alma ferida, cuida a distância de seus pacientes por ser incapaz de se entregar ao contato estreito com o outro.

Está escancarado ali, como lidar com gente é umas das tarefas mais difíceis que temos que cumprir. Cada cabeça um mundo de infinitas possibilidades que funciona de um jeito único. Dr. House não faz nenhuma questão de sair do seu mundo, tampouco de entrar no mundo do outro. Sua fonte interminável de perguntas é o corpo e todos os seus complexos mecanismos que ele domina com uma maestria invejável. Não importa quem, mas sim o que. Sua busca incessante por respostas e cura, uma hora esbarra no humano, no comportamento e na alma e é nesse momento que incríveis histórias se desenrolam.

Ele é mestre, é gênio, mas é sofrido e sente dor. No amor uma perda, e no corpo uma marca. Criou uma maneira dura e sarcástica de ser. Parece uma pedra. Porém seu olhar tantas vezes revela sua alma que chora, que tem dúvida e que tem medo.

Senti uma empatia com a sua solidão. Vive com gente, mas está sempre sozinho. É claro que ali naquela ficção existe um extremo que felizmente ainda não cheguei e não pretendo chegar. Tenho muitas reservas no lidar com o outro, é comum que eu opte por estar sozinha ou fazer as coisas sozinha. Me sinto impaciente com os dramas humanos porque o meu já me basta. É um treino constante. Não falo de insensibilidade não, mas de distância mesmo. A distância parece poupar muita coisa, mas também cobra o preço alto de estar só. A mente humana é por demais complexa, cheia de loucuras e só quem as tem é capaz de entender. Todo mundo tem as suas.


Dr. House é constantemente confrontado com ele mesmo. No fundo ele sabe que sua dureza é uma resposta a sua tristeza e a sua dor. As situações da vida sempre o fazem parar para pensar. Ele não admite muita coisa, mas sua alma sabe dos seus pecados e sofre por eles.

Eu vivo aprendendo também. Não é uma tarefa fácil entrar no meu mundo particular porque geralmente as portas estão encostadas, mas só encostadas não estão trancadas não... Os mais sensíveis percebem que as minhas portas não estão trancadas e conseguem entrar, e há quem veja as portas encostadas e passam direto por não perceberem que não estavam trancadas. Eu sei que também não facilito deixando frestas para mostrar que não estão trancadas, acho que acabo perdendo, mas ainda tenho a sensação de que me poupei de muitos aborrecimentos.


Estou assistindo, refletindo, me vendo, vendo o outro e acompanhando belas histórias que trazem tanto de todos nós ora como médicos e ora como pacientes...

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