sexta-feira, 14 de março de 2014

Ah! Se pudéssemos...




Ah! Se pudéssemos voltar a ser criança...

Quanta ansiedade de crescer, de ter independência e de viver experiências adultas nos fez desejar que o tempo passasse logo. O salto alto da mamãe, o rock do irmão mais velho e a moça bonita e independente da novela.

A inocência do olhar infantil assiste a vida como um grande e desejado espetáculo e sonhamos protagonizar naquele mundo adulto. Natural que seja assim...

Mal consegui compreender a vida e seus embaraços e já vejo minha filha sonhando crescer e andando pela casa com meu sapato, falando no celular fantasiando ser uma executiva estressada cheia de compromissos.

É esse o ciclo e salve-se quem puder. A vida avança numa dinâmica que não pára e cabe a nós dar sentido a isso tudo. É sempre bom lembrar que nesse filme da vida a gente morre no final.

Me peguei pensando em voltar no tempo, e me alertar de muitas coisas... Como naquele filme “Duas vidas” com o Bruce Willis, onde a criança que ele foi volta e visita-o já adulto reivindicando que ele fosse diferente. Aquele menino não queria se tornar o adulto mesquinho que ele se tornou tão distante de tudo que ele sonhou. Juntos, adulto e criança, os dois vão consertando o passado e o presente para chegar ao futuro desejado.

Na capa desse filme está escrito: “Ninguém cresce e se torna aquilo que imaginou”... E não é? Será isso bom ou ruim? Fiquei um tempo pensando nisso tudo e sem muitas respostas.

Não, não é possível viajar no tempo e enquanto eu penso nisso a vida já passou mais um pouco. Talvez resgatar a pureza e a simplicidade da infância já ajude. Descomplicar é uma grande virtude infantil e a medida que crescemos aumenta nossa capacidade de complicar tudo.

Com um olhar nostálgico hoje, tento resgatar a serenidade dos dias em que o meu maior medo era quando meus pais demoravam de chegar de qualquer lugar que fossem sem mim. Ah! Que bom seria se esse ainda fosse o meu maior fantasma...

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