segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mas... Como assim?!




O que me assombra, leva o que me encanta.

O que me deixa seguro, me tira o extraordinário.

O que me entristece, me engole.

O que pesa na alma, transborda no corpo.

O que me faz sonhar, eu leio como impossível.

O que me envergonha, me trava.

O que me deixa na dúvida, me estanca.

O que me causa desejo, me traz culpa.

O que está ao alcance, me assusta.

O que devo fazer, não faço.

O que faço, não devo.

O que me faz sorrir, eu não toco.

O que me faz chorar, eu abraço.

O que me da paz, eu não busco.

O que me angustia, eu não largo.

O que me acolhe, eu afasto.

O que não me vê, eu carrego.

O que me chama, eu não escuto.

O que me ama, eu não aceito.

O que eu quero, não consigo.

O que me ilumina, eu esqueço.

O que me faz livre, eu rejeito.

O que me diminui, me aprisiona.

O que me valoriza, eu mando embora.

O que me faz completo, me divide.

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