O que me assombra, leva o que me encanta.
O que me deixa seguro, me tira o extraordinário.
O que me entristece, me engole.
O que pesa na alma, transborda no corpo.
O que me faz sonhar, eu leio como impossível.
O que me envergonha, me trava.
O que me deixa na dúvida, me estanca.
O que me causa desejo, me traz culpa.
O que está ao alcance, me assusta.
O que devo fazer, não faço.
O que faço, não devo.
O que me faz sorrir, eu não toco.
O que me faz chorar, eu abraço.
O que me da paz, eu não busco.
O que me angustia, eu não largo.
O que me acolhe, eu afasto.
O que não me vê, eu carrego.
O que me chama, eu não escuto.
O que me ama, eu não aceito.
O que eu quero, não consigo.
O que me ilumina, eu esqueço.
O que me faz livre, eu rejeito.
O que me diminui, me aprisiona.
O que me valoriza, eu mando embora.
O que me faz completo, me divide.
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