domingo, 15 de junho de 2014

Guarulhos, 24 de Maio de 2014.








Só eu. Eu, minha mala do Bob Esponja, minha bolsa de passarinhos, meu Crocs com meia, um lenço colorido no pescoço e a vontade de me deslumbrar com outras paisagens. Viajar é sempre um exercício de desapego. Sou muito apegada à minha casa, meus filmes, minhas panelas e também à rotina dos meus dias. Me sinto segura dentro do esquema que eu mesma desenhei. Acordar cedo, caminhar, fazer um dengo na minha filhota, cantarolar na cozinha, tomar algo quentinho, sair para trabalhar, passar pelas mesmas ruas, falar sozinha no volante, cumprimentar as pessoas, trabalhar, voltar novamente falando sozinha no volante, pegar minha filha na escola, cuidar dela, curtir sua companhia, curtir minha casa, meu sofá, sair de vez em quando para comer alguma coisa em boa companhia e assim os dias vão passando e as lutas vão sendo vencidas. 

A vida que é grandiosa parece tão resumida. O mundo é onde a gente circula, as paisagens que a gente vê e as pessoas com que a gente convive. Pronto. O mundo é isso, a vida é isso, e sair desse "quadrado" é se deparar com o desconhecido. Seria bom se de vez em quando lembrássemos que o nosso mundo é somente um pontinho dentro desse universo. Nos esquecemos que nossas verdades são somente nossas... Nossa segurança pode ser ameaça para outro alguém, nosso rituais sagrados podem parecer profanos a outros e o que nos parece óbvio pode ser inusitado de outro ponto de vista. Lugares também. Nossos cantos, nossas paisagens, as ruas por onde passamos, são apenas alguns remotos lugares dentre infinitos e com certeza é mais desconhecido para tantos do que conhecidos como a gente conhece.

Só eu. Vendo a movimentação do aeroporto, pensando em tudo isso e me concentrando no objetivo. Sim. Concentrando. Por mais turbulenta que seja a nossa rotina, é dentro dela que a gente se sente seguro e por isso é tão difícil enfrentar o novo. Sair do lugar é sempre um desafio e cada dia tenho experimentado mais vencer os desafios que a vida me coloca. Ficar no lugar e ver a vida passar tem sido algo que me assusta e é esse medo que me movimenta nos últimos tempos. 

Não gosto da sensação de que a vida está me engolindo. As vezes é inevitável esse sentimento, mas vez por outra preciso me movimentar para sacudir a poeira que começa a se acumular. Seja lá o que for que nos faça sentir engolido pela vida é preciso bastante determinação para fazer o que quer que tenhamos que fazer. 

Uns dias de desapego. Uns dias de novos lugares. Uns dias de novos rostos. Uns dias para pensar na vida. Uns dias para ver que a vida vai muito além daquilo que meus olhos vêem e meu coração sente.

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