Quinta-feira. Acordei sem saber qual era o dia da semana. Em meio àquele estado sonado em que a gente acorda, concluí que era terça-feira e fui viver meus primeiros momentos do dia. Tomei banho, café da manhã, me arrumei e me senti desencaixada na minha conclusão de que era terça-feira. "Estranho" - pensava eu.
Entrei no carro para ir trabalhar e não me entendia em mim mesma, tudo parecia confuso. Resolvi pegar meu celular para confirmar minha tese de que se tratava de uma comum terça-feira e foi então que tive a surpresa de constatar que estava vivendo uma quinta-feira.
Susto. Como é que eu achava que estava vivendo o começo ainda de uma semana que já se encaminhava para o fim? Me senti mais confusa ainda. Fechei os olhos e baixei a cabeça, não liguei o carro. Fiquei ali parada na garagem do prédio. Decidi que só sairia do lugar quando me encontrasse no tempo.
Se na quinta-feira, eu acho que é terça, onde será que eu escondi a terça e a quarta que eu já vivi?! Maior loucura rolando ali sentada sozinha no meu carro. Decidi continuar ali e resgatar os acontecimentos desde a segunda-feira.
Fui lembrando, pelo menos alguma coisa significante de cada dia até que conseguisse chegar na tal quinta-feira que eu estava custando a acreditar que vivia nela. E assim foi...
"É verdade, quinta-feira" - Disse para mim mesma. "Mas, onde estará o problema? Será o tempo muito veloz, ou eu muito devagar?" Não sei responder ainda. As vezes a gente consegue vencer a impetuosidade da constância indiscutível do tempo, as vezes a gente sucumbi diante dele tamanho cansaço e se perde.
No meu caso, eu me perdi. Entrei num vácuo de tempo e a sensação é bem ruim. No vácuo, não tem ar e a gente não consegue ficar por muito tempo. Saí desse paralelo de tempo, fui me achando, me situando, me acalmando até que consegui me encontrar.
Respirei fundo o ar da quinta-feira, porque até então, respirava um ar de terça e finalmente liguei meu carro. Convencida agora de que estava vivendo o mesmo dia que todo mundo, fui viver minha quinta.
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