Ao guardar os enfeites de natal que ocupavam minha casa no ano passado, passava pela minha cabeça a questão: Como estará a minha vida, quando eu pegar novamente esses enfeites natalinos no próximo ano? Parecia longe... Afinal ainda tinha que viver um ano inteiro para poder responder essa pergunta.
A casa está novamente tomada pelo espírito natalino e evidentemente me lembrei da questão que me assombrou no ano anterior quando remexi o armário para pegar os enfeites que guardo com carinho.O tempo de um ano que parecia longo já venceu e já estamos nos preparando para o próximo! Precisei parar para fazer pelo menos um rápido balanço do ano e tentar responder à pergunta que me fiz a exatamente um ano atrás.
A resposta é muito simples. Aconteceram mudanças que me surpreenderam e me surpreendi mais ainda com o que continuou absolutamente igual nesses 365 dias que completaremos nessa semana. E não é assim que caminha a vida?
O que é um ano novo se não mais um dia? A mudança é grande no calendário,mas o sol aparece e vai embora da mesma forma de sempre e sem nenhuma novidade por ter mudado o ano.
Se não for nossa disposição de alma, provavelmente podemos sucumbir à constância exata do tempo que impreterivelmente mantém o mesmo ritmo. Felizes ou não, é importante passar por esses rituais de fim de ano que marcam fim e inicio de ciclos.
O dia primeiro de Janeiro é sempre o mesmo, mas simbolicamente o temos como inicio de um novo ciclo assim como o 31 de Dezembro demarca um fim.
Mudanças assustam bastante, mas tenho me espantado ainda mais com a falta de mudanças. A vida de hoje impõe que estejamos prontos para mudanças constantemente quer gostemos ou não. Isso se chama ser gente grande e é mais fácil você se dedicar a assimilar as mudanças, do que arquitetar 1001 formas de se manter resistente a elas como uma árvore plantada que não sai do lugar quer esteja sol, quer esteja no meio de um tempestade de chuva e vento.
Somos abençoados pelo simples fato de poder sair do lugar e caminhar em direção àquilo que julgamos ser o melhor. Somos abençoados por ter essa mobilidade de caminhar, de enfrentar, de parar, de nos proteger, de correr, de ir devagar...mas sempre em movimento.
Tenho aprendido a apreciar mudanças. Não estou dizendo que não me assusto com elas, de fato as vezes elas me apavoram. Contudo nenhuma delas deixaram de me ensinar e me fazer crescer. Sim, me sinto gente grande diante de tudo que a vida me fez enfrentar com pavor, mas sempre caminhando.
Não sair do lugar é adoecedor e eu me surpreendo com quem faz mais força para ficar no lugar do que a força que teria que ter para enfrentar as mudanças.
As perguntas de fim de ano são sempre ansiosas e parece que não aprendemos nunca a deixar de fazer perguntas que sabemos que não sabemos as respostas.
Já penso em guardar os enfeites de natal, mas esse ano as perguntas apesar de permanecerem no meu peito, elas já não fazem tanto barulho. Tenho gostado de me sentar na cadeira do observador... Vivo, caminho e enfrento, mas gosto de perceber, de assistir a vida acontecendo para mim e para o outro.
Feliz ano... Quer seja ele de fato novo ou não.
Perfeito! Temos a falsa ideia de que o Ano Novo que iniciará, nos mostrará como mágica, as mudanças que queremos, porém sem partir de nós! E bendita sejam as mudanças, por mais que por vezes nos impressiona, são necessárias, por saber que a vida é um constante movimento e dinâmica,logo, entendo,que não sou mais a mesma,que atravessa o mesmo rio!beijos querida,seus pensamentos me inspira,me faz refletir, grata!
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