quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ops!




A pergunta que estou me fazendo hoje é: Porque é que quando eu ando, pouco que seja, eu tropeço?! De fato é algo curioso e chega ser uma condição, se ando consequentemente tropeço, ou dou topada, trupico, cato coquinho ou seja lá como costumam chamar. Hoje, como não podia ser diferente tropeçei na rua, no centro de Londres em pleno horário de rush e como sempre quando olho para trás procurando a causa da cena desconcertante, advinha? Não era nada, nada que justificasse aquela cena. Talvez as pequenas irregularidades do chão, basta um pequeno desnível e pronto o resultado é certo eu vou com certeza tropeçar naquele milímetro mais alto.
Se tem alguém comigo, a reação da pessoa geralmente é: "Já vai Má!?" ou " Oops, tudo bem?!" e aqueles que que querem ser mais solidários dizem: " Nossa que perigo essa calçada desse jeito!" Não sei o que é pior estar acompanhada e ouvir essas coisas ou estar sozinha e perceber que quem estava por perto dá aquela olhadinha de canto de olho sem entender a causa de tamanha topada. Nessa situação não há o que fazer a não ser continuar andando e de preferência sem olhar para os lados, se não dá mais raiva. Talvez dos males o menor estar acompanhada, pois a gente acaba rindo ou fazendo algum comentário bem humorado.
Depois de refletir sobre a causa dessa minha mania involuntária, fiquei pensando que deva ser porque eu não levanto muito os pés para andar, ou ando com a cabeça sempre ocupada com os pensamentos? Será que sou tão distraída?! Já cheguei ao cúmulo de entrar tropeçando em uma loja e percebi que até a vendedora ficou com vontade de rir e eu disse pra ela: "Tudo bem... Normal!".
Tem coisa melhor do que andar pensando na vida? Tem coisa melhor do que andar prestando atenção na vida acontecendo, nos barulhos nas conversas, nas pessoas, nas roupas, nas crianças, na moda, nas vitrines, nas mudanças da rua, nos cachorros, nas manias das pessoas, no papel levado pelo vento, nas pombas comendo o que vêem pela frente, nas brigas, nas risadas, nos bêbados, nas pessoas falando ao celular, nos casais apaixonados, nos que estão atrasados, nos mal-humorados... Quando ando gosto de ver tudo isso e já vou pensando no que estou vendo: Penso no porque aquele homem está com pressa, porque aquela velhinha está triste, porque será que aquela pessoa está tão nervosa ao celular ou porque aquela mulher está chorando... Gosto de participar da rua e não apenas passar por ela. Sou de rir com quem esta rindo e sou de chorar com que chora mesmo de longe, mesmo sem saber os motivos. Sou de dar tchauzinho para bebês e crianças, sou de parar para olhar uma flor ou para sentir um cheiro...
Definitivamente não ando de cabeça baixa e muito menos prestando atenção nas mínimas irregularidades do chão. Gosto de andar olhando o mundo e se possível ouvindo uma boa música no fone de ouvido. Toda vez que eu ando ouvindo música, me sinto dentro de um filme com uma bela trilha sonora... A música embala o dia. Quantas vezes meu trajeto para o trabalho em dias difíceis foi salvo por uma boa música?!
Tem coisa melhor do que andar para aquietar a alma? A Avenida Sumaré e atualmente a Oxford Street sabem muito de mim. Vou andando, andando, pensando, chorando, falando comigo, falando com Deus, falando com a vida e brigo e ando e me calo e ando e penso e ando e assim vai...
É. Acho que nem se eu levantasse muito os pés eu deixaria de tropeçar. Ao fim desse texto, acho que respondi a pergunta do início. Tropeçar faz parte de mim. Prefiro assim porque andando e tropeçando vou vivendo, vou me curando, vou me resolvendo, e vou seguindo.

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