quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Boa sorte amigos!


Não quero de maneira alguma comprar briga com ninguém, tão pouco ofender a quem quer que seja. Acontece que algumas coisas me deixam um tanto irritada. Ontem me senti assim, quando estava dando uma voltinha no Shopping Higienópolis.

O que será que explica a relação que as pessoas tem com seus cachorros? Fiquei com essa pergunta na minha cabeça...
Já tive uma cachorrinha na minha infância e eu gostava dela, mas confesso que nunca morri de amores e me sinto assim pouco seduzida até hoje. Essa minha cachorrinha, durou uns quatro ou cinco anos e tivemos que nos desfazer dela por conta de uma mudança de casa. Morávamos em uma casa grande e nos mudamos para um apartamento onde ela (seu nome era Popi) em pouco tempo, começou a adoecer de tristeza de tanto não ter espaço para correr. Eu era criança, e a Popi foi embora no começo da minha adolescência. De lá pra cá, nunca mais tive cachorros...

Vale ressaltar que em 2011 conheci um cachorrinho que arrebatou o meu coração, o nome dele era Dudu. Me surpreendi comigo mesma ao me ver derretida por ele. Acho que foi o jeito que ele me recebeu em sua casa e a maneira como ele profundamente olhou para mim. Me lembro que devagar ele se aproximou, encostou seu narizinho gelado no meu, me deu um cheirinho, se aconchegou calmamente do meu lado e ali ficou. Essa é a única ressalva que eu tenho, não sei o que aconteceu comigo, não sei porque ele gostou de mim e porque eu gostei dele. De fato algo inexplicável.

A grande questão que envolve esses adoráveis Pets, é que eles tem o imenso poder de afetar a mente humana. Devo logo dizer que os cãezinhos nada tem a ver com minha irritação e sim seus donos. Como engolir que cachorros desfilem de roupinhas e sapatinhos em um shopping onde crianças de rua e de pés sujos só podem esticar o pescoço para ver o lado de dentro? Imensos seguranças estão nas portas para evitar que esses “incômodos” tirem o conforto do ambiente.

Eu sei que essa discussão já não é nova, mas me sinto irritada de ver essa troca esquisita de valores. Outro dia vi uma mulher atravessando a rua com um cachorrinho dentro de um carrinho de bebê cheio de apetrechos para ele brincar. E o pior, ela conversava com ele como se conversasse com um bebezinho de fato. Alguém me responda: O que aquela mulher tem na cabeça?! No shopping então, a coisa é mesmo doentia. Além de ter o Pet Shop, já encontramos requintadas boutiques que vendem vestidinhos, sapatinhos e tudo quanto é artigo para esse público que insiste em achar que cachorro é gente.

Cachorro é cachorro, e não a nada de ofensivo nisso. Se você me disser que eles tem o poder de serem amáveis, de serem boa companhia, de fazerem um bem enorme para nós, eu não vou discutir e acho que faz total sentido. Agora, porque as pessoas surtam? Porque fazem papéis ridículos quando estão com seus Pets?
Talvez a incapacidade de se relacionar com gente, talvez a incapacidade de dialogar, talvez a incapacidade de ser questionado, talvez a incapacidade de compartilhar... Isso tudo pode ser o começo de uma explicação para esse fenômeno assustador que se agiganta a cada dia. Seu cachorrinho não te enfrenta, não te mostra coisas que você precisa enxergar, seu cachorrinho não te questiona, seu cachorrinho vive única e exclusivamente para te agradar, para te fazer sentir-se amado e querido. É o companheiro que todo mundo quer ter: Me ama incondicionalmente e não fala. Não é o que se busca nas relações? A comodidade de ser amado, mas nunca questionado.

Uma pena que a cabeça humana se apresente cada dia mais conturbada e cada dia mais debilitada no lidar com o outro. Enquanto existirem esses adoráveis animaizinhos amorosos substituindo gente, o homem está livre de se deparar consigo mesmo e suas limitações. Deixo aqui para esses cãezinhos, meu enorme desejo de que sejam fortes para conseguirem ser tudo aquilo que querem que eles sejam... Boa sorte amigos!

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