sábado, 14 de janeiro de 2012

Coisas que salvam


Fui caminhar hoje. Esse, é o meu quarto ano de caminhadas e posso afirmar que se não fosse esse tempo andando eu talvez teria sucumbido às lutas da vida. Parece exagero, mas tenho hoje muito clara essa consciência.
Caminhar com certeza é um ótimo exercício para o corpo e acredito que seja uma boa manutenção para o cuidado com o peso, um ótimo fortalecedor para as pernas, talvez uma boa ajuda para a difícil tarefa do coração de ter que bombear sangue para todo o corpo, enfim um exercício completo. Acontece que nunca pensei em nada disso e esses nunca foram meus objetivos. Não há como negar que vejo os benefícios no meu corpo, afinal eu o submeto a esse esforço com freqüência, mas nunca foi essa a preocupação que me moveu.
A manutenção da minha alma e da minha saúde mental sempre foram meus grandes objetivos. Caminhar é mesmo uma necessidade para a minha mente. Uns dias sem caminhar e percebo minha cabeça atormentada pelos pensamentos. O dia-dia de trabalho e a rotina estabelecida não me dão espaço para que eu fique comigo mesma, não me dão espaço para que eu converse comigo mesma. Dentro da rotina não consigo parar para me ouvir .
Caminhar me parece um tempo quase sagrado e é nesse tempo onde o corpo está trabalhando que a mente vai se organizando. Tenho mania de trazer para o concreto as coisas da alma e acho que muitas vezes tenho uma relação metafórica com a vida. A partir do momento que percebi na minha vida que apesar de tudo, eu precisava continuar a caminhada, de fato nunca mais parei de caminhar em todos os sentidos . Entende?! Se eu preciso dessa postura diante da vida, passo isso para o concreto e me coloco a andar de fato. É o significado.
O cenário que escolhi foi o da Avenida Sumaré. Já fui questionada por escolher a avenida cheia de carros , poluída e barulhenta ao invés do Parque da Água Branca que está bem perto e oferece um ambiente mais favorável com árvores e sombra. Pensando nisso hoje, acho que me arrisco a dizer que é também o significado. A avenida é como a vida, é parte do cotidiano, é como a realidade que simplesmente está posta. O parque não, pois é um pequeno retiro, um ambiente preparado, propício... É na vida que devo caminhar, é na avenida que eu ando.
Muita loucura?! Essas são as minhas impressões... Eu sei que não dá pra sair significando tudo na vida, isso seria insano e deixaríamos de viver para tentar explicar tudo. Algumas coisas acredito que adquirem significados conforme a história de cada um. Concretizar algumas coisas e significar outras , me ajudam bastante. Tenho a sensação de que negocio melhor com a vida e comigo mesma, sem me sentir coagida com os problemas. É preciso agir? Então vou agir no concreto, que isso ecoa também na alma.
Bom é caminhar, bom é caminhar de fone de ouvido com música bem alta. Bom é propor uma trilha sonora para a vida e seguir. Umas vezes cantando, umas vezes chorando, umas vezes em silencio, umas vezes batucando na perna, umas vezes tocando violão na barriga ou regendo... Fico rindo de mim, pois vou caminhando assim...

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