Hoje eu percebi que há exatamente 22 anos eu choro com a mesma música e me impressionei com esse fato. Não consigo ouvir sem derramar lágrimas contidas ou escandalosas a música "O que será" de Chico Buarque, cantada por Oswaldo Montenegro numa versão dolorida ao violão lançada em1992.
Foi essa música que me apresentou a sensação de ser invadida por palavras e melodia até a alma quase descolar do corpo. A medida que ele vai se perguntando o que será que o faz queimar por dentro, o que será que perturba o sono, o que será que o faz se encharcar de suores, o que será que faz seu corpo se desestabilizar de tremores e o que será que trás uma aflição que o faz implorar... Vou onvindo e entrando nessa agonia até me sentir dentro de todas essas perguntas.
Uma música inteira de perguntas e sem nenhuma única resposta. Essa, talvez seja a maior angústia da letra e da vida; lidar com o que não se pode explicar racionalmente. Sentimentos e sensações, são poderosos agentes que fazem qualquer um se ver completamente impotente. Somos muito fortes até nos depararmos com nossa alma, nossos traumas e nossas fraquezas.
Meu estado de espírito quando ouço a música não importa. Se estou feliz ou triste, a música sempre tem o mesmo efeito. Com certeza se me pega em dias de muita tristeza, minha reação tende a ser mais desastrosa diante das palavras de Chico e do violão e voz de Oswaldo.
O tempo passou e a música ficou. Hoje pensei muito no tempo diante desse fato. Estava dirigindo meu carro quando ela tocou e eu chorei igualmente como a menina que eu fui um dia. O contexto da nossa vida é sempre muito dinâmico, cada dia estamos lidando com uma questão diferente. No entanto a alma é uma só e não é tudo que consegue chegar até lá.
Algumas verdades são eternas...
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