terça-feira, 28 de junho de 2011

Cá com meus botões...







Ouvi hoje que um dos maiores inimigos que nos afastam de Deus é a tal Religiosidade. Já venho pensando em questões como essa por conta da deliciosa leitura que estou fazendo do clássico: O crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz.

O mais interessante é que este livro traz questões profundas e bastante provocativas à religião Cristã causando um certo reboliço com a igreja católica quando foi publicado em 1875 em Portugual. Na época em que escreveu esse livro, Eça de Queiroz estava bem próximo à realidade política de Portugual, pois era Administrador do Conselho de Leiria que acabou sendo palco para o seu romance. O que na época observara sobre o papel da religião, o papel da fé e discussões sobre moralidade acabaram resultando nesse belíssimo romance.

Hoje, junho de 2011 ouvi essa frase a que me referi no início. Incrivelmente concluo que tratam-se exatamente das mesmas questões! Esse impasse entre o homem e o papel da religião é certamente algo muito mal resolvido. A única diferença é que Eça transformou essas difíceis questões em poesia e romance e o homem de quem ouvi tal afirmação hoje, falava insistentemente como quem quisesse convencer a quem o ouvia que a Religiosidade é uma perigosa falácia.

Tenho minhas questões com a igreja e sua demasiada religiosidade... De fato o que se pode tirar de bom dessa mistura é muito pouco. Parece uma loucura, mas concordo que a religiosidade nos afasta do que é mais sagrado. Afinal para que serve ela então?!
Infelizmente a religiosidade se propõe a grandes equívocos e milhares de seguidores igualmente equivocados se prestam a uma caminhada completamente desconectada com a essência da mensagem do Cristianismo.

Regras, maneirismos e legalismos tentam enquadrar o pecador num beco sem- saída e dalí ele não sai nunca porque é simplesmente impossível. Onde fica o Deus- Pai Amoroso?! Não importa... O que importa é a lei; e a Bíblia Sagrada que é o grande livro-guia do Cristianismo parece acabar no Velho testamento. Está tudo errado! Sinto um profundo descontentamento assistindo a todo esse cenário e as descrições de Eça de Queiroz parecem falar dos dias de hoje. Quando a religião se mistura a interesses, poder e política pode sair correndo que essa é uma mistura poderosa e perigosa e com certeza os resultados são os piores que se pode esperar.

Que bom que existem pessoas ainda capazes de elucidar esses enganos, quando os vejo tenho a gostosa sensação de que nem tudo está perdido. Infelizmente irresponsáveis pretensos líderes religiosos põe a perder inúmeras vidas que simplesmente resolverão descrer do essencial diante de tanta feiúra em nome de Deus e de uma religiosidade absurdamente sem qualquer nível de lucidez. Para esses que descreram, não tiro a razão e os entendo, porém lamento não serem esclarecidos que foram vítimas de muitos e graves enganos.

Cá com meus botões, estou apenas colocando pra fora alguns pensamentos que me ocorreram. Sinceramente não vou aqui me propor a resolver esse gigante problema chamado religiosidade... Posso dizer que a mim, ela não pega mais. Briguei, briguei, questionei, questionei e por fim com um golpe certeiro mandei ela embora pois entendi que não servia pra nada. Quero dizer servir, serve, pra tornar tudo mais complicado e impraticável. Resolvi esse problema quando exercitei insistentemente o desapego à religiosidade que anda descaradamente na contra-mão da proposta do Cristianismo e decidi caminhar com uma profunda convicção no que de fato é essencial.

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