domingo, 5 de junho de 2011

Dois mundos






Imponentes prédios esbanjando modernidade em suas estruturas carregadas de vidro e metal ficam a beira do rio Tamisa compondo o cenário do centro empresarial de Londres. Toda a estressante rotina desse lugar gira em torno do cruel mundo dos negócios.
Passei por lá outro dia para encontrar pessoas queridas que ali trabalham e almoçar com elas. Para minha surpresa, em meio a belos homens sérios e engravatados e elegantes mulheres de salto alto me deparei com a mais bela e intrigante cena que conflitava com aquele ambiente.

Entre os prédios, haviam estabelecimentos de café, restaurantes uma pequena praça com vista para o rio Tamisa com suas fontes de água ligadas. Eram pequenos buracos espalhados pelo chão, de onde saía uma suave água sem muita força. Era possível andar por entre essas pequenas fontes. O dia estava bonito com um lindo céu azul e o mais interessante é que neste lugar haviam inúmeras crianças brincado nessas fontes.

A cidade oferece lindos parques com uma invejável estrutura para as crianças brincarem, mas aquele lugar definitivamente é lugar de gente grande! Fiquei encantada quando vi tanta criança brincando, algumas estavam até de maiô ou sunga e os menores só de fralda. As mães ali por perto com toalhas e roupas secas, esperavam seus filhotes terminarem a diversão. Dois mundos se encontravam ali.

Minha filha, só de ver aquela festa já foi tirando o tênis e levantando a calça para participar daquela farra e em poucos minutos já estava brincando na água com outras crianças que ela nunca tinha visto na vida. Criança com criança se entende... Um jogava água no outro e juntos riam daquela gostosa aventura de se refrescar. Parecia que nada poderia ser melhor nesse mundo do que estar ali e o que havia de tão especial? Água.

Ao ver aquela cena era impossível não pensar: "Porque essas crianças estão tão felizes? Porque se divertem tanto?". Aquela simplicidade era encantadora. As crianças que estavam provavelmente desfrutando da melhor parte do dia delas, conseguiram toda aquela explosão de alegria com muito pouco. Que incrível a capacidade que as crianças tem de serem muito felizes com o mais simples e que incrível a capacidade que a gente tem de só ser feliz se tivermos isso ou aquilo.

A gente tem mania de estabelecer critérios para ser feliz e vive buscando o grande, o incrível e o arrebatador. Depois de adultos parece que não conseguimos mais ver beleza e graça na simples água de uma fonte. Que pena... Perdemos muito com tanto planejamento para ser feliz.

Conviver com crianças é sempre um privilégio. Se você não tem criança por perto com certeza você está perdendo uma boa dose de encanto na sua vida e se você não gosta de criança a sua situação como adulto é bem mais preocupante. Procure conviver com alguma criança, pois ela pode te livrar de ser um adulto sem brilho.

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