Um dia cheio. Sabe aqueles dias que a alma está pesada? Aqueles dias que você não sabe se trabalha ou se entrega? A gente tem sempre um monte de coisas pra fazer! Não importa se a gente está bem ou não. A gente vai matando um monte de leão e o dia passa parecendo um trator em cima da gente. As vezes nossos dias parecem aquelas listas intermináveis de coisas pra fazer e você tem que ir dando um ok em tudo. Tive um dia mais ou menos assim ontem. Cabeça cheia, alma perturbada e consciente de que tinha que dar conta do recado.
Nessa batida alucinada, fui acelerada buscar minha filha de sete anos na escola no fim do dia. Cheguei lá e entrei para procura-la. Quando ela me viu, olhou pra mim e disse preocupada: Mamãe, não posso ir embora agora. E eu sem entender perguntei o porque, já imaginando meu carro em lugar de parada rápida com o pisca alerta ligado, pensando na hora, pensando em chegar em casa, pensando em encerrar aquele dia. Ela tranquilamente me explicou assim: É que eu tenho uma reunião com o Caio meu amigo. É uma reunião sobre nossa equipe de mistérios. Imaginem eu... Falei: O que?! E ela continuou: É uma reunião urgente, porque amanhã a gente vai fazer uma viagem ao centro da terra e a gente tem muita coisa pra resolver. A gente vai entrar por um portal que é um pedacinho de alumínio que ele tem, mas que na verdade é um cristal. Amanhã você não tem que me desejar boa aula, você tem que me desejar boa sorte na minha viagem que pode durar dias, semanas, meses ou até anos. E ela ficou olhando pra mim, e eu fiquei paralisada olhando pra ela.
Minha reação foi dar um abraço bem apertado naquele pedacinho de gente cheio de poesia e na hora agradeci a Deus por aquilo. Que bom foi ouvir aquela fantasia, que bom sentir que ali mora a inocência e transborda imaginação. Quanta pureza, quanta delicadeza havia naquelas palavras. Esqueci todo peso que eu carregava e com a alma grata, fui com ela procurar o Caio.
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