segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ímpar!



Me lembro que durante muitos anos da minha vida, a minha escolha e preferência era sempre por números pares. Se houvesse a necessidade de numerar o que quer que fosse, tentava sempre privilegiar o número par. Vou assar quantos pães de queijo? Número par. A televisão e o som vão ficar em qual volume? Número par. Imprime quantas cópias? Número par. Pede quantas esfihas? Número par. Compra quantos pães? Número par. Manias são engraçadas, esquisitas e rapidamente são incorporadas na nossa rotina, até que a gente não perceba mais.
As razões dessa ecolha por números pares são muito óbvias. O número par resulta sempre numa divisão exata, possibilita agrupamentos iguais e soa sempre mais confortável. Relembrando aquele conceito que aprendemos na escola sobre números pares e ímpares encontrei a velha definição: Número par é todo número inteiro que ao ser dividido pelo númer dois resulta em um número inteiro. Ou seja, par é todo número que pode ser escrito na forma x=2y, com x e y pertencentes ao conjunto dos números inteiros. Número ímpar é todo número  inteiro que ao ser dividido pelo número dois resulta em um número racional não inteiro. Ou seja, ímpar é todo número que pode ser escrito na forma x=2y+1 ou x=2y-1, com x e y pertencentes ao conjunto dos números inteiros.
O fato é que hoje, e já tem algum tempo, depois de tantos anos escolhendo números pares, voltei atrás nessa mania e tenho dito sempre: ímpar! Já não faz mais sentido o número par... Parece bobagem, mas insisto em atribuir significado às coisas pequenas do dia-dia. Gosto desse exercício simbólico, pois parece que tudo ganha um sentido único, exclusivo e a vida não parece mais me escapar entre os dedos sem que eu perceba. É de fato um exercício gostoso e tantas vezes divertido. Adoro sair atribuindo significados às coisas e são amarrações mentais bem interessantes que acontecem.
Pensando então nos números pares, o que começou a me incomodar é que eles são muito resolvidos, não existe a vírgula e não existe a possibilidade de ser menos exato. Essa representação que eles carregam na verdade me trás a sensação de uma escolha que reflete também esse pensamento de ser exato, inteiro, completo, fechado e pronto. É claro... estou colocando sobre o número uma outra carga simbólica que ultrapassa o fato de ser apenas número.
Brincando um pouco com o significado das coisas, me coloco a pensar que o sentido dessa viagem metafórica é que eu mesma sempre fui muito e ainda tenho uma forte tendência a ser exata como um número par encarando a vida sem vírgulas e com a pretensão de estar no controle de tudo. Ter o desejo de estar no controle da direção da vida é muito natural, a gente realmente acredita que está no controle de tudo até que a vida nos mostre, de maneira impiedosa, que não temos controle de absolutamente nada.
 Em sua infinita grandiosidade então, a vida foi me mostrando que a gente é bem mais ímpar do que par. Ah! Não foi muito confortável chegar a essa conclusão pra quem sempre foi muito par. Quando percebi tantas vírgulas e possibilidades que saem totalmente da exatidão do número inteiro, de fato tive que repensar os números e essa escolha.
 Tenho escolhido sempre números ímpares porque eles me fazem  lembrar que eu não sou par, que eu não tenho o poder de ser par e que a vida nao cabe na minha exatidão como os números inteiros.
Quando estou ouvindo música no carro é regra que vou pensar nessas questões, pois deixo o volume no nove, ou no onze, ou no treze... E não é que me parece que é sempre a melhor opção?! Talvez eu já esteja bem sugestionada por ficar nesse devaneio sobre os números, mas de fato o volume no número par me parece ou alto demais ou baixo demais, então procuro esse meio termo.
Pensar em números pares e ímpares tem me feito pensar em muita coisa e esses dias mesmo fiquei feliz de lembrar que apesar de saber que ainda sou muito par, meu número preferido sempre foi o sete!





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