Uma coisa curiosa aconteceu comigo neste fim de ano. Ao voltar para minha casa da ceia de natal na madrugada do dia 25, tive vontade de desmontar minha árvore de natal e acabar logo com aquele clima natalino que envolvia todos os cômodos da casa com almofadas, bonecos de neve, presépios e etc.
Estranhei. Amo o natal e ao ver o primeiro sinal dele na cidade eu já encho minha casa de enfeites natalinos antes que comece o mês de dezembro. Religiosamente todos os anos, somente no Dia de Reis em 06 de janeiro é que guardo tudo.
Esse ano bastou acabar a ceia que o meu espírito natalino acabou junto e as luzes da minha árvore já me causavam uma certa irritação pois continuavam piscando alegremente na minha sala. Por causa da árvore, mudei um móvel de lugar e passei o mês de novembro e dezembro dando topadas nesse móvel que ficou em um lugar ingrato, mas isso não me incomodou tamanha alegria de ter em casa o espírito do natal. A primeira topada que dei no bendito móvel fora do lugar depois do natal me irritou profundamente e eu percebi que de fato o espirito natalino havia ido embora definitivamente.
Desmontei tudo antes mesmo do Reveillon e ao guardar toda aquela parafernália que eu adoro, me perguntava como será que estará minha vida quando eu pegar tudo de novo para enfeitar minha casa no próximo natal. Pronto. Entendi tudo. Foi minha ansiedade que levou embora o espírito do natal.
Um ano novo que se aproxima, parece um fantasminha que vem nos assombrar com mistérios que somos incapazes de decifrar. O que nos aguarda? O que vai acontecer? Como vai ser? Dará certo o que eu pensei? Acontecerá o que planejei? Algum sonho se realiza? Alguma fatalidade me aguarda? Terei condições vencer mais um ano? Conseguirei o que preciso? O que me surpreenderá? ...E uma infinidade de perguntas ansiosas invadem a alma e nos fazem concluir que não temos posse de nenhuma resposta para nenhumas delas.
As capas de almofada que eu comprei para brindar o ano novo em casa e substituir minhas almofadas de Papai Noel já estão no meu sofá. Elas estavam guardadas para o início do ano, mas fui incapaz de esperar. Elas ali no meu sofá já dizem "Pode chegar ano novo, chega logo que eu já estou pronta pra te enfrentar." As almofadas ali me mostram minha impaciência, meus medos e minha curiosidade com relação ao ano vindouro.
Estou certa de que que quando der meia noite, os fogos de artifício vão acalmar meu coração porque apesar de não saber o que me aguarda, pelo menos já estou dentro do ano que se inicia e não precisarei mais esperar que ele chegue. Me restará arregaçar as mangas para fazer dele um ano muito feliz.
Um abençoado ano novo a todos nós.
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